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O som que está bombando nas festas de casamento

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Qual é o som que está bombando de verdade nas festas de casamento?

Nos últimos anos a Dance Music foi slowing down, desacelerou e abriu as portas para o Deep House, que como o nome já diz é uma vertente mais “profunda”, introspectiva, lenta e triste da House Music. Ao mesmo tempo o funk acelerou, passou de 130 para 150 BPM, estourou e invadiu até as festas de casamento.

Eu bati um papo com vários profissionais da música, DJs de música eletrônica, DJs de casamento, gerente artístico de gravadora e gerente artístico de rádio. Também participei como palestrante de um encontro de DJs que debateu o assunto. Vamos conhecer as opiniões de vários desses profissionais para saber como será o som da sua festa em 2019. São opiniões e previsões, mas vale muito a pena conferir. Conheça agora o som que está bombando nas festas de casamento!

O assunto começou a ganhar força quando o DJ Marcelo Cupim lançou um Podcast com as 32 músicas mais pedidas e tocadas por ele em 2018 e só incluiu uma música internacional. Nós batemos um rápido papo e ele contou que foi o ano das tracks nacionais, desde o grande sucesso do Brazilian Bass com remixes e remakes de grandes sucessos da música brasileira, como “Anunciação”, “Tempo perdido”, “Ai ai ai”, passando pelo pop de artistas como Vitor Kley, Iza e Melim, alguns destaques do sertanejo, como “Dona Maria” e, é claro, muito funk!”. Ele finalizou: “Algumas músicas de 2016 resolveram estourar somente no ano passado, como é o caso de “Pé na areia” do Diogo Nogueira, e outras que voltaram a bater com um novo remix, como foi o caso de “Refém” do Dilsinho na versão do Dennis DJ”.

Na minha opinião, tudo isso é reflexo de uma crise na música Pop que refletiu no rádio e nas pistas. A música Pop sempre emplacou muitos hits nas pistas das festas de casamento, mas depois que desacelerou ficou tudo muito igual. Acho que “Closer” da dupla The Chainsmokers” foi um marco nessa mudança. Sem muito esforço eu lembrei de “I gotta feeling” do Black Eyed Peas (2009), “Club can’t handle me” do David Guetta com Flo Rida (2010), ou “We found love” da Rihanna (2011). São músicas que fazem muito sucesso até hoje! Se a gente olhar um passado mais recente, vamos lembrar de grandes hits como “Uptown funk” do produtor Mark Ronson com participação do Bruno Mars (2014), “Sorry” do Justin Bieber (2015) ou “Can’t stop the feeling” de outro Justin, o Timberlake (2016). No ano passado a lista de hits do Pop que estouraram de verdade nas pistas foi bem reduzida, mesmo incluindo as músicas latinas. Uma das poucas músicas que realmente emplacou nas festas de casamento em 2018 foi “One kiss” do Calvin Harris & Dua Lipa. Na reta final do ano surgiu “Body” do Loud Luxury, que já tocava na noite há algum tempo, mas ainda não é um daqueles hits obrigatórios em todas as festas. De resto, os mega hits internacionais continuam sendo “This girl” – Kungs Vs Cookin’ on 3 Burners (2016) e “Dog days are over” – Florence & the Machine (2009).

Quem tem uma opinião parecida com a minha é o DJ Renato Edde, gerente artístico da Rádio Transamérica do Rio e comandante do programa Hot Hits, especializado em Dance Music. “Se a gente olhar os últimos três anos aqui no Brasil o Pop não para de perder mercado, principalmente para a música sertaneja que tem um grande investimento, uma grande união e um grande trabalho envolvido. A Dance Music vai pelo caminho do Pop no país, mas com uma queda ainda mais acentuada. Até essa nova MPB do Melim e Lagoon, se é que a gente pode chamar assim, pegou o espaço do Pop”. Renato Edde segue com o seu pensamento: “As produções nacionais conquistaram o público, mas são muitos remakes. De cada 10 lançamentos, sete são remakes. Hoje eu faço o Hot Hits com várias músicas que tocam no Sarcófago (programa dedicado à flashbacks) mas com versões atuais. Não acho isso saudável mas é uma realidade que a gente precisa encarar. Ano passado você viu Calvin Harris apostando em outros estilos e o David Guetta, uma fábrica de hits, lançando muita coisa e não conseguindo emplacar nenhum grande hit! Num passado não muito distante, eu fazia sets de 2 horas nos meus eventos só tocando dance music. Hoje, eu toco 30/40 min. e depois tenho que trocar para outros estilos. Eu até volto com a Dance, mas está bem complicado”. A Rádio Transamérica do Rio também tem um programa dedicado ao Funk, o Na Batida, com o DJ Filippe Sanchez. Segundo Edde, o programa é um grande sucesso e tem uma ótima audiência. “Nós tocamos o 150 BPM e faz muito sucesso! Mas tudo na versão light, sem os palavrões. Hoje em dia, o DJ de funk que não toca 150 está desempregado!”.

Do rádio, nós vamos para as pistas de música eletrônica. Para Andrew Gracie, um dos DJs mais respeitados nesse segmento, a Dance Music não está na sua melhor fase. Essa opinião bate com a de Rogério Gonçalves, DJ e A&R da gravadora Universal Music. Segundo Andrew Gracie, “Pela primeira vez na história da Dance Music no Brasil, os maiores hits e automaticamente os maiores artistas são brasileiros. Seja pelo valor dos cachês ou pela representatividade desses artistas nos grandes eventos”. Sobre o Funk, ele respondeu: “Eu sempre acreditei muito na rejeição do funk marginalizado. Durante muitos anos as letras das músicas falavam da realidade das favelas e isso, de uma certa forma, incomodava muita gente. Mas teve uma geração de artistas como Buchecha, Perlla, Marcinho, Sapão, Naldo, Anitta, Ludmilla e Nego do Borel que conseguiram colocar o funk em outro patamar. E aí o funk entrou nas maiores rádios do país e consequentemente na TV. Surgiram as festas cariocas que começaram a rodar o país fazendo as tours como Baile da Favorita e Baile do Dennis, que viraram as festas queridinhas dos artistas”. Depois dessa análise preliminar, ele falou sobre o sucesso do Funk 150 BPM: “Eu acredito que o grande fenômeno do 150 BPM é, de fato, o retorno do funk raiz carioca. Essa é a música escrita, produzida e cantada nas favelas. Os MCs, DJs, produtores, empresários, todos moram nas comunidades. E novamente repetindo um fenômeno que aconteceu com o Castelo das Pedras, nós temos novamente um baile funk ditando a moda que é o Baile da Gaiola”.

Outra fera da música eletrônica é o DJ Roger Lyra, que também participou do meeting dos DJs como palestrante. Ele também está ministrando um curso de produção musical da AIMEC no Rio de Janeiro. Vários assuntos foram debatidos, mas Roger abordou um ponto muito importante e deu uma grande dica: “Um dos grandes diferenciais dos DJs atualmente é a produção de versões exclusivas (músicas ou remixes) para criar um trabalho único. No meu curso eu ensino o DJ a ganhar ferramentas para criar o seu diferencial. Você pode criar versões eletrônicas do Funk, do Brazilian Bass e até de House Music. E para ouvir aquela versão, só te contratando”.

Para o DJ Mauricio Cury, do Paraná, a coisa começou a mudar em 2016: “A música Pop/Eletrônica foi migrando para um lado mais lento, da pra dizer até que triste. Salvo o underground como a música Techno que voltou com tudo.  Aqui no sul o único grande hit desde 2016 foi “This girl” do Kungs Vs Cookin’ on 3 Burner, já “Dog days are over” do Florence & the Machine que ganhou até coreografia em varias regiões por aqui não vingou. O que bombou de verdade foi o Sertanejo , mas que a princípio já começou a saturar e assim facilitou para entrada, ou podemos dizer o retorno, do Funk. Hoje o funk, principalmente  de São Paulo, já vem dominando a maioria das pistas de Festas de 15 Anos as de  Casamentos.
Acredito que o hitmaker do momento Dennis DJ é o responsável por boa parte de tudo que vem acontece com o Funk, um exemplo é a música Tu tá na Gaiola que até cair nas suas mãos era praticamente desconhecida pela maioria bastou ele transformar no medley da Gaiola e tocar em suas apresentações para virar Febre, e acredito que essa Febre chamada Funk vai durar um bom tempo ainda. Lógico  que entre esses estilos o que vem ajudando um pouco são os remixes e remakes de clássicos,  e para mim surgiu a necessidade de produzir versões exclusivas para tocar nas festas que me apresento.

Do Paraná a gente viaja até São Paulo para falar com o DJ Igor Cunha, um dos principais nomes do estado quando o assunto é pista bombada, seja em eventos corporativos ou festas de casamento. “Eu recebi uma charge brilhante:

2012: Funk é muito ruim

2016: Tem alguns que são bons

2018: EEEUUUU PARADO NO BAILÃO

“Aí você percebe nas reuniões dos eventos corporativos e sociais, que a coisa realmente mudou muito. Mas acho que isso é devido à duas cenas. A Dance Music internacional viu grandes artistas como David Guetta e Calvin Harris reduzindo o BPM das músicas e vemos eles fazendo músicas com The Chainsmokers, Coldplay, Maroon 5, etc. Fora isso, Depois do EDM a gente ficou carente de hits. Antes a gente tinha Avicii, Swedish House Mafia, Calvin Harris, Galantis, etc era muita gente produzindo música boa. Aí o mercado mudou. Pelo lado Nacional, a gente teve o crescimento do Brazilian Bass, do sertanejo, do funk, ou seja, uma avalanche de músicas em português, que antes era visto com um um certo preconceito. Mas eu acho que já está começando a cansar. Falando do Funk, tem uma cena interessante que é o Dennis DJ. Ele está conseguindo juntar essas coisas, o remix do sertanejo, as produções de funk, está juntando a EDM, já está fazendo música com o Bruno Martini e entrando, etc. Eu acho que 2019 vai ser assim, bastante pautado nisso. Hoje, nos eventos corporativos e sociais, o Funk tem tomado uma proporção maior. O pessoal está aceitando mais. A Dance Music caiu um pouco mas acho que as pessoas ainda gostam muito”. 

Um dos profissionais mais respeitados no mundo das festas de casamento é o DJ André Paulo. Ao contrário da maioria dos DJs que se especializaram em festas de casamento, André Paulo não costuma tocar muito funk em suas festas. “Meu público tem um perfil bem parecido com o meu e não curte muito o Funk. Eles curtem muita House Music atual e também o Pop Indie. A parte do Funk é bem reduzida e eu costumo tocar mais os funks antigos, da época que fui DJ da Baronneti. Também gosto de tocar clássicos como “Freedom” do George Michael. Eu gosto do mix de hits atuais com remakes, acho que a pista fica bem democrática”. Sobre o sucesso do Funk, André Paulo declarou: “O sucesso do Funk é cíclico. Ele vai e volta com muita força. Estamos em um momento que não só o Rio, mas também São Paulo se tornou um celeiro de vários MCs que estouraram suas músicas devido ao sucesso de plataformas digitais como YouTube e Spotify”. Esse ponto é muito importante, já que cada vez mais os brasileiros estão ouvindo música no Youtube.

 

Para Patrick Alves, outro DJ que faz muitas festas de casamento, o som das festas mudou bastante nos últimos 10 anos. “Em 2009 nós tínhamos tracks como “Stereo love” do Edward Maya, “Sexy bitch” do Guetta, “We no speak americano” da Yolanda Be Cool e o super hit “Boom boom pow” do Black Eyed Peas. Todas eram sucesso na pista e eu mantinha esse ritmo por hoooooooooooras. Com o surgimento das produções brazucas temos remakes ótimos de “Não Quero Dinheiro” e “Tempos Modernos”, produzidas pelo Make U Sweat; “Anunciação” do Alceu Valença produzido pelo pernambucano Jopin, temos o remix de “Ai ai ai” da Vanessa da Matta produzido pelo Felguk e várias outras. Vejo que a Dance Music (incluindo EDM, Electro e Deep, em geral) deu uma esfriada nos eventos sociais, mas, ao mesmo tempo, abriu espaço para as produções nacionais. Entre os hits internacionais mais novos que eu tenho tocado nas festas, destaque para “Body” do Loud Luxury e a não tão nova assim o remake de “Ain’t No Mountain High Enough” do Frischwimmer, que é de 2016”. Sobre o Funk, Patrick completou: “Por outro lado, o Funk está vindo com muita força nas festas de casamento. O Ano de 2018 foi a vez do Funk 150 BPM e, claro, vem sendo o som preferido e desejado de grande parte dos convidados. Mas os funks clássicos dos anos 90 e 2000 são sempre bem recebidos nas pistas. Creio que no futuro tanto a Dance Music quanto o Funk seguirão fazendo sucesso por muito tempo nas pistas da festas de casamento”.

 

Agora que você já leu a opinião de vários profissionais da música, nós encerramos a matéria, uma dica preciosa do DJ Andrew Gracie. O que funciona sempre, em qualquer pista é “Música boa e dançante, não falha nunca!”.


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DJ expert há 30 anos e pai de quatro filhos, ele dividiu sua experiência no livro Histórias Inesquecíveis de Casamentos, onde conta casos inacreditáveis e prova todo seu profissionalismo. Respira música e mistura seu feeling com arte, já que é formado em Design e pós-graduado em Marketing. Suas maiores paixões? Filhos e música. Adora scuba diving!