Ricardo Stambowsky: a resistência do gentleman

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Texto: Juliana Vargas  e Elisa Paixão    Fotos: Aszmann

A fama de gentleman é merecida quando se trata de . Com 30 anos de carreira baseados no bom gosto e na sofisticação, o cerimonialista continua arrancando elogios a cada sonho que realiza

Já não se fazem mais homens como antigamente. é a prova de resistência de um cavalheirismo quase esquecido nos dias atuais. Educado, sofisticado e de um bom gosto inabalável, é detentor de uma habilidade pouco explorada, porém muito enaltecida: a arte de receber. E foi por causa deste dom que o festeiro tornou-se cerimonialista e organizador das grandes celebrações da sociedade carioca, além de conselheiro e inspiração para aqueles que encaram a vida como uma festa.

Em meio à decoração aristocrática de seu apartamento, no tradicional bairro de Copacabana, um homem de sorriso largo e gestos moderados afaga a pequena e ciumenta Chloé, cachorrinha tekel que não deixa ninguém chegar perto de seu dono sem alguns latidos contestadores. Assim, em meio a objetos de arte e um rico repertório de música clássica, recebe os clientes e amigos que buscam sábios conselhos para uma festa que marque a memória dos convidados. “O primeiro passo é entender que para ser um bom anfitrião deve-se estar preocupado com o bem estar e conforto das pessoas que prestigiam o evento. Isso inclui a escolha do bufê, a decoração, a temperatura do ambiente, o acesso, entre outros aspectos”, explica.

Da família pernambucana, descendente da aristocracia canavieira dos senhores de engenho, Ricardo herdou as habilidades de um bom anfitrião. Depois de se formar em direito, foi trabalhar na construtora da família e durante quase 15 anos se dedicou a uma carreira sem amor. Mas, foi durante este período que Ricardo e Sueli – sua esposa e maior incentivadora há 43 anos – mais receberam os amigos, em badalados jantares. “Desde essa época ela mantém o hábito de anotar todos os detalhes dos nossos jantares, como a lista dos convidados, o menu, quem fez o bufê, o número de garrafas de bebidas e marcas consumidas, os fornecedores das flores e o estilo dos arranjos, além da roupa que usou. Sueli deve estar no quinto volume de seus cadernos”, conta

E por falar em anotações, reuniu todas as histórias e experiências adquiridas ao longo dos 20 anos de profissão como organizador de eventos e vai lançar ainda no primeiro semestre deste ano, a obra intitulada “A vida é uma festa”. No livro, ele conta toda sua trajetória, da primeira festa no Copacabana Palace – o casamento de Ana Cristina Alves, com a presença de figuras ilustres como Ibrahim Sued – até passagens divertidas, com dicas para a produção de um evento de sucesso.

Ricardo tem as noivas entre suas principais clientes, e admite que o casamento é a celebração mais prazerosa de se organizar. “De todos os tipos de cerimonial, as bodas sempre me emocionam. A entrada do cortejo, os sinos tocando, a música e a emoção dos noivos… Tudo é mágico e me fascina”. Nestas duas décadas de experiência e dedicação, este aristocrata das festas e gentleman por natureza já realizou e continua realizando muitos sonhos, fazendo em média oito casamentos por ano. Um trabalho que lhe proporciona orgulho e prazer. “Do sucesso à alegria dos convidados, do prazer dos anfitriões à perfeição do trabalho dos profissionais envolvidos, tudo é muito gratificante. Para dizer a verdade, nem parece trabalho”, brinca o cerimonialista – ou seria produtor?

Entre os divinos casamentos que já organizou, Stambowski foi pioneiro ao realizar uma cerimônia na Capela do Cristo Redentor em 2014. Foi o primeiro casamento a ser celebrado do alto da vista mais linda do Rio de Janeiro. No entanto, mesmo com décadas de experiência no mercado, ainda existem algumas igrejas nas quais o cerimonialista nunca realizou casamentos. “ Os noivos sempre escolhem as Igrejas mais antigas que ficam no Centro, por isto fica tão difícil conseguir uma data livre”, justifica.

Atualmente, com a dinâmica do mundo cada vez mais globalizado, os profissionais precisam ser versáteis, criativos e flexíveis. Daí essa grande confusão entre cerimonialista, organizador e produtor. “O cerimonialista é o profissional ligado ao cerimonial, que garante o cumprimento das normas de etiquetas empregadas no evento. Já o produtor ou organizador é aquele que vai produzir a celebração de um modo geral, contratando os profissionais e cuidando dos elementos necessários. O nome mais adequado para minha profissão é organizador de eventos, porque ninguém pensa mais em contratar alguém apenas para cuidar dos bons costumes. Minha função é harmonizar todos os envolvidos na produção”, diz entusiasmado.

Por conta dessa versatilidade profissional, existe muito cerimonialista fazendo papel de decorador e vice-versa. Mas Ricardo alerta: “Geralmente quando isso acontece é por questões econômicas. É preciso ter em mente que o cerimonialista vai improvisar como decorador, mas não ficará perfeito, pois esta não é a área dele. Assim, se a noiva quer um serviço impecável e funcional, é preciso contratar um profissional para cada item da produção”, explica. Ainda na questão financeira que envolve o casamento, algumas regras também foram reinventadas com o tempo, como por exemplo, quem irá pagar pelo casamento. “ Tradicionalmente quem paga é o pai da noiva, mas atualmente isto não é mais uma regra. Paga quem tem mais disponibilidade , muitas vezes as duas famílias contribuem. Às vezes os próprios noivos bancam tudo”, conta.

Com o passar dos anos, principalmente as festas de casamento ganharam status de grandes espetáculos, onde a animação é a palavra de ordem. Stambowsky sabe bem disso e tratou de se manter atualizado ao longo de tantos anos de profissão. Mas, se preocupa com os exageros. “Na minha primeira experiência, a noiva queria uma festa que marcasse época. O resultado foi uma ousada mistura de flores, legumes e acelgas… Atualmente as pessoas adoram surpreender. E novidade demais assusta. Concentrar o sucesso da festa em acontecimentos inéditos é muito perigoso e pode resultar em um desastre. Ainda mais quando o assunto é casamento e 15 anos, instituições tradicionais que não permitem inovações sem limites”, finaliza.

Dicas do gentleman:

Os noivos devem avaliar o que eles realmente sonham e fazerem uma previsão orçamentária  para ver se o sonho é realizável. Todo mundo que se programa para fazer uma festa estabelece um budget

Façam dos preparativos – que geralmente levam  um ano – motivo de prazer e alegria, pois afinal o melhor da festa é esperar por ela!

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