Marcos Mamede e sua incrível munição musical

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Saiba mais sobre a história e todo o profissionalismo do DJ Marcos Mamede

 

Marcos MamedeImprevisto é uma palavra que não faz parte do vocabulário profissional do DJ Marcos Mamede. Nos seus 30 anos como DJ – ele começou aos quatorze anos, em 1981, como assistente de Márcio Torres, o principal DJ das festas cariocas da época – Mamede aprendeu a se adaptar às circunstâncias dos eventos para os quais é contratado e se armou de um arsenal de músicas que permite agradar a anfitriões e convidados, sem abrir mão de sua bagagem musical forjada na era disco dos anos 80.

“Sou um DJ old school”, admite, “tenho um estilo mais clássico, centrado na discoteca e house da ala comercial e nos standards”. E confessa: “Fujo dos sons mais barulhentos ou experimentais”. O que não significa estar fechado totalmente aos pedidos dos noivos, com quem costuma conversar longamente antes de planejar o que sua sensibilidade lhe dirá para tocar conforme o ritmo da noite. Sim, porque o DJ Mamede não acredita em sets montados previamente. “Festa é momento, o set é escolhido ao vivo e a cores. Sei como a festa vai começar, mas nunca o rumo que ela vai tomar. E ela pode acabar de diversas formas”.

E por falar em situações inusitadas, ele cita um casamento em Curitiba para o qual preparou, a pedido dos noivos que moravam em Paris (!), uma pasta no pendrive com 40 minutos de músicas sertanejas. Já em outra ocasião, os noivos tinham feito o alerta para que ele não tocasse funk de jeito nenhum, mas, no meio da noite, a mãe da noiva pediu para ouvir uma música da Anitta. Os anfitriões, então, mudaram de ideia e, para alegria de todos, Mamede tinha o repertório da funkeira à mão.

DJ Marcos Mamede  Foto Marco Rodrigues

O que o DJ adora fazer – e que poucos no ramo gostam – é conduzir desde a hora em que as pessoas estão chegando ao evento, aquele momento em que ninguém ainda está dançando. “Gosto de ir integrando as diversas gerações que fazem parte de um casamento e, nesse início, posso colocar tanto um som com clima revistado das décadas de 50, 60 e 70 como um Michel Bublé, uma Diana Krall, uma Madeleine Peyroux, Rod Stewart ou até mesmo Lounge para festas mais modernas. Esse também é o momento ideal para o DJ tocar a velha e boa bossa nova, ainda mais – acredita ele – se o noivo for estrangeiro ou se o casamento estiver acontecendo na orla carioca, como no Clube Marimbás ou no Copacabana Palace. Mamede, aliás, se orgulha de possuir um set cobiçadíssimo do ritmo que Tom Jobim internacionalizou, com os sucessos brasileiros cantados em inglês e francês. Em seguida, é a hora de um som mais animado, de preferência um flashback com Dancing Queen, do Abba, que é a pedida certa para chamar para a pista convidados de todas as faixas etárias. “Não se pode abater o avião quando ela ainda está levantando voo”, dá a dica. No entanto, não se deve exagerar nesse estilo, pois os jovens gostam do atual.

Mas nem tudo são mixagens perfeitas e flores na vida de um DJ tão solicitado. Marcos revela que é muito difícil, atualmente, ter um top five: “As músicas estão cada vez mais descartáveis e duram, no máximo de três a seis meses”. No seu playlist, no entanto, não podem faltar You’re the first, the last, my everything, com Barry White, Calvin Harris, David Guetta e Florence + The Machine. A receita do mainstream da noite atual, “pelo menos no Rio”, Mamede faz a ressalva, “é um dance comercial puxado para o house com um toque de eletrônico”.

 Marcos Mamede Foto Divulgação

Sem sócios, mas contando com quatro DJs assistentes, Marcos tenta programar suas férias com pelos menos seis meses de antecedência, para que possa dar conta de sua agenda que corre o Brasil inteiro. Quando possível, gosta de ir à Ibiza, que reúne DJs de todo o mundo e onde ele se reabastece de ideias e curte música com o prazer de um mero ouvinte. “É quando faço uma limpeza espiritual”, diz. Mamede conta, também, ter desenvolvido uma técnica mental para ficar alheio ao que não é do seu agrado. O principal é que a música funcione naquela pista, independente do gosto pessoal dele. E é bom não duvidar desse profissional perfeccionista e dedicado. Ele já teve que usar muito de sua concentração na festa de uma botafoguense em que tocou inúmeras vezes o hino alvinegro e na qual todos os detalhes lembravam o time, desde o bolo com escudo às Havaianas distribuídas como brinde.  A ponto de todos, ao fim da noite, jurarem que o DJ, flamenguista roxo, tinha o Botafogo como time do coração.

Apesar de reconhecer que um DJ não pode ser musicalmente preconceituoso, Mamede prefere que não lhe peçam músicas do gênero brega, tipo as do Sidney Magal, ou no estilo Ploc, como as do Balão Mágico. Também confessa que “não gostaria de ter de enfrentar noivo ou noiva descolados que só gostam de músicas alternativas que não são do conhecimento do grande público” ou aqueles que querem um repertório essencialmente de MPB a noite toda. “Não acredito nesse formato”, afirma convicto, apoiando os argumentos em sua longa observação da noite e na abertura para o que está surgindo nas pistas de todo o mundo. “O que está acontecendo com a música pop dance nacional? Onde estão os hits?” indaga aquele que havia se definido como um DJ que prefere música internacional acima de tudo. Compositores brasileiros e aspirantes a hit makers, atenção: está aí o recado de quem, definitivamente, sabe do que está falando. Principalmente quando se trata de vencer, com elegância, o desafio de animar as pistas mais chiques e bem frequentadas do Rio.

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