Duas palavras, uma emoção: enfim casados

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 Juíza de Paz Maria Vitória Riera celebrando um casamentoOs números são altos, mas a memória não falha! Para a Juíza de Paz Maria Vitória Riera, acreditar no amor e na família são os pilares para o exercício diário da profissão. Com um somatório (alarmante!) de centenas de casamentos por ano, ela ainda se diverte “Quando encontro algum tempo depois um casal que uni legalmente, pergunto onde aconteceu a cerimônia e logo me lembro de algum detalhe. Não sei quem se espanta mais, eles ou eu”. O motivo para isso? Envolvimento, carinho e respeito com o trabalho, o matrimônio e a união de duas vidas.

Inesquecível Casamento – Muitas noivas ficam em dúvida quanto à formação de um juiz de paz. Quais os processos que o mesmo passa para estar habilitado a celebrar casamentos?

Maria Vitória – De uma maneira simples podemos dizer que o juiz de paz deve ser, obrigatoriamente, bacharel em Direito e indicado pela autoridade judiciária do Registro Civil das Pessoas Naturais. Ele passará, portanto, pelo crivo do Conselho de Magistratura e será nomeado pelo Presidente do Tribunal de Justiça. O juiz de paz, porém, só poderá realizar matrimônios nos limites territoriais do registro civil para o qual foi nomeado. O que, no meu caso, estende-se pelos bairros de Botafogo a São Conrado até o Alto da Boa Vista.

♥ Então, mesmo conhecendo o seu trabalho, uma noiva que possua registro em outra área diferente da sua de atuação, não poderá a ter como celebrante?

O mais comum é que o casal procure um juiz de paz da localidade de sua residência, mas é possível acontecer pedidos para que um determinado profissional celebre o enlace. Diante disso, é preciso uma autorização da Corregedoria do Tribunal de Justiça e o pagamento da taxa estipulada em lei para cerimônias fora da sede do cartório.

♥ Hoje em dia algumas religiões atribuíram ao celebrante o título de juiz de paz, eles também podem realizar casamentos civis?

A denominação do celebrante varia de acordo com a religião e seu respectivo representante, podendo ser padre, rabino, pastor, ministro evangélico ou qualquer outro. No caso da validação do casamento civil, porém, é preciso que a noiva atente se a casa religiosa possui livro próprio e está registrada no CNPJ. O documento emitido na cerimônia religiosa deverá ser registrado no Cartório de Registro Civil da residência de um dos noivos, que emitirá então a certidão de casamento civil.

O segredo para um casamento feliz é ter em mente que os momentos difíceis chegam, mas também vão embora” 

♥ E quanto à escolha por essa profissão, conte-nos, como aconteceu?

O encantamento veio quando ainda pequena me vi perdida diante da beleza das cerimônias. Lembro exatamente do primeiro casamento que acompanhei na Igreja da Candelária. Depois disso, fiz concurso para o Instituto de Educação, onde adquiri sólida estrutura educacional e cultural, me formei em Pedagogia e, por fim, em Direito. Não é preciso dizer que, dentre todas essas atividades, ter me tornado juíza de paz está relacionado com a crença que tenho no matrimônio. Afinal, ele é e sempre será a base da sociedade e a origem da família.

♥ Toda essa paixão certamente influencia as palavras destinadas aos noivos na hora de trocarem as alianças…

Não tenho dúvidas de que a realização que sinto com o meu trabalho transpareça nesse momento. Durante a cerimônia procuro passar aos noivos,  de uma maneira sutil, os anos de casada que me garantem alguma experiência. É importante que eles saibam que não será fácil, pois trata-se de pessoas diferentes com educações e formações também distintas, decidindo ter uma vida comum. Há de se ter muito respeito, compreensão, tolerância e acima de tudo vontade de acertar.

♥ Quando a cerimônia acontece junto à festa, você realiza alguma reunião prévia com os noivos para tornar o momento ainda mais especial?

Cada casal possui a sua individualidade, por isso, acho de suma importância essa aproximação, a fim de conhecer mais sobre sua história. Ao realizar um matrimônio estou ciente de que aquele será um dos instantes mais importantes da vida a dois, então, busco superar as expectativas. Os noivos, porém, não devem esquecer que o casamento é um ato solene e que sua celebração está submetida às formalidades especiais impostas por lei.

♥ Sobre a duração das celebrações hoje em dia, elas estão mais curtas do que antigamente?

O tempo de duração de uma cerimônia é algo bem relativo, pois está atrelado ao ambiente, à reação dos convidados e à expectativa dos noivos. Por isso, é fundamental que o celebrante tenha experiência e sensibilidade a fim de equilibrá-lo sem tornar a celebração cansativa para os ouvintes.

♥ E diante de toda a sua experiência nesse universo dos casamentos, há algum conselho que se estenda às noivas prestes a oficializar o matrimônio?

Se conselho fosse bom a gente vendia, não é? Mas acredito que o segredo está na sabedoria e na compreensão de que o casamento precisa ser um entendimento, uma combinação harmônica dos dois em um, conquitando-se e conquistando a felicidade a todo instante, a todo momento, com compreensão e carinho

 

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Uma jornalista que associa escrever a pensar em voz alta, ambiciona abrir seu coração para o mundo e viu nos casamentos um tempero especial para a profissão. Para o seu grande dia? Pôr do sol e pés descalços.