A personalidade da noiva no vestido com Aline Cifrino

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Texto: Júlia Cerqueira

Aline Ciafrino começou como bailarina, passou a figurinista de peças de teatro, transitou por todas as áreas da moda e hoje é estilista de alta costura, especializada em vestido de noiva. Com muita energia e bom humor, ela mistura todas essas experiências na hora de desenhar e modelar vestidos que agradem as noivas. Aliás, não só as noivas. Com um ateliê próprio, ela atende madrinhas, mães dos noivos, damas e, sem deixar os palcos de lado, faz também figurinos.

Em um bate-papo muito descontraído, Aline demonstrou porque tem um atendimento diferenciado. Para fazer cada vestido ela procura entender os gostos e desvendar a alma e o coração de cada noiva para que tudo se encaixe perfeitamente no grande dia. Além disso ela deu dicas preciosas de como harmonizar os vestidos das madrinhas e revelou que o noivo também pode inovar na hora de escolher o traje de gala. “O céu é o limite para uma criação”, garante Aline.

Confira um trechinho do que rolou na live!

IC: O que te encantou e fez com que você se tornasse uma estilista de noiva?
AC: Fui bailarina, me foquei muito na dança e me formei com 14 anos. Fiz corte e costura com 11 anos. Não tive um momento que resolvi ser estilista. Isso é uma coisa minha, sempre me acompanhou. Quando comecei a dar aula de dança, eu fazia o roteiro, figurino, cenário, dirigia. Então eu estava muito em contato com o universo da dança. Comecei a trabalhar profissionalmente com peças de teatro e resolvi fazer faculdade de belas artes. Esse mundo da alta costura veio para mim no meu casamento. Quando me casei eu fiz o meu vestido e desde então nunca mais parei de fazer vestido de noiva. Não foi uma coisa arquitetada.

IC:então você testou se era capaz ou não logo com você mesma?
AC: Exatamente. Uma das coisas mais importantes do meu trabalho é essa coisa de entender as noivas. Eu mergulho dentro delas, temos uma troca muito intensa. Uma das coisas mais importantes pra mim é o entendimento de quem é a noiva e do que ela gosta, de como se movimenta…e eu experimentei isso comigo. Quando é um vestido de noiva a gente mostra nossa essência. Tem meninas que tem um corpo lindo, que qualquer modelagem fica muito boa. Eu ajudo essas meninas a entender quem elas são, como elas querem ser vistas como noivas, e isso é muito gostoso nesse processo. É uma das coisas que tenho mais prazer. Claro que tem toda uma técnica, não é só usar o que eu gosto, ou o que está na moda. Tem que entender de modelagem, o perfil dela. Às vezes elas chegam sem saber nada. Então eu vou entendendo e elas vão aparecendo pra mim.

IC: Até se elas chegarem sem ter noção do que querem?
AC: Muito. E eu acho delicioso, porque elas se entregam para mim.


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IC: E como é o processo criativo? Mostra fotos, pesquisa, analisa o biotipo…
AC: Todo mundo tem muito acesso a imagem. Mas uma coisa é ver uma foto maravilhosa, posada. Outra é vivenciar e experimentar a roupa. Elas tem um sonho que está na foto, mas não é aquilo que é pra elas. Então eu faço com que elas entendam isso. Como elas vão escolher uma renda se elas não conhecem as rendas? Tem inúmeras tipos de renda. Eu procuro mostrar o que existe. Mostro todos os tecidos, a composição, como cada um responde a determinado corte. Então depois disso eu faço com que elas vistam alguma coisa. Tenho alguns vestidos no ateliê que são base. Ele não tem nada, é só um cetim italiano pra elas se verem com essas silhuetas. Entenderem como ela ficaria com um vestido com corte na cintura e elas colocarem isso no corpo e sentirem. Isso é muito mais importante para elas do que para mim. Eu posso olhar e pensar que ela pode ficar linda com um corte assim ou assado, mas tenho que entender o que elas gostam. Com o meu histórico de dança, me preocupo muito com movimento.

IC: Isso é legal. Às vezes vemos noivas com vestido bonito, mas que acaba sendo uma armadura. Até pra andar fica difícil.
AC: Sim, e eu falo isso com elas. A maneira como a gente se expressa diz muito. Uma coisa que eu faço muito é ouvir a playlist delas. Isso me diz muito da pessoa. Quando mostram as referências, de forma inconsciente, ela me mostrava a direção. E eu vou esmiuçando, perguntando e mostrando pra elas o que elas viram naquela imagem ou em uma frase. Podemos não entender o porquê das coisas, mas isso me direciona pra saber se o decote tem que ser mais profundo ou se o braço pode ou não engessar. Parece doideira, mas é real.

IC: Você entende o que toca ela, está analisando a alma dela.
AC: Exatamente. É uma entrega, eu sou da intensidade. Coisa de canceriana. Eu tenho tesão de fazer isso. Eu fico muito preocupada com essa vida corrida que a gente tem e o meu processo é profundo. Eu não quero definir o vestido de uma noiva em um primeiro momento, não é um vestido que você vai na padaria. Calma! Vamos entender. Quem me procura acaba se propondo a ter uma criação desse jeito. Pra mim é muito gostoso, ficamos muito amigas. Faz parte, passamos muito tempo juntas.

IC: Isso é muito importante. Mas também tem as questões técnicas. Dê algumas dicas sobre a relação entre o local do casamento (salão, praia, fazenda…) e o vestido.
AC: Claro que temos que levar em consideração o lugar. Aqueles vestidos muito armados, de princesa, não funcionam na praia, por exemplo. Até porque a noiva que escolhe a praia não tem esse perfil. Eu casei uma vez na praia, a noite, para poder usar brilho. O vestido era fluido, tinha asas, parecia uma borboleta. Mas tinha também o bordado. Então, independentemente do lugar, eu sempre analiso a pessoa. Claro, tem que ter relação o ambiente, as decorações, com o vestido. Com as decorações mais clássicas podemos fazer os vestidos mais estruturados, com saias amplas e caudas enormes. Vai muito do gosto. O próprio lugar que a noiva escolhe casar já me diz muito sobre ela.

O céu é o limite para uma criação. Eu já fiz vestido de adesivo de espelho. Claro que temos que ter bom senso e elegância na hora das escolhas. No ateliê trabalhamos com coisas e composições diferenciadas e isso dá uma qualidade no vestido, na hora da modelagem, do corte.

IC: Um casamento em uma igreja grande, com candelária e recepção no Copacabana Palace?
AC: Meu amor, bota cauda, bota véu, brilho, bordado, renda. Adoro quando chega essas “noivonas”. É muito legal poder fazer todos esses estilos. Quando me perguntam qual o meu estilo, eu digo que não tenho um. Eu tenho algumas pegadas de texturas, misturar coisas. Muitas noivas dizem que não querem cauda. Mas eu sempre corto a roupa com uma cauda. Não é uma roupa que usamos sempre, usar roupas com cauda. Tem pessoas que têm dificuldade de aceitar esse tipo de roupa, por ser mais modernas ou ser o estilo delas. Mas eu sempre corto com a cauda pra elas poderem vivenciar, experimentar a cauda. E quase 90% delas querem, por ser uma coisa diferente.

IC: Pergunta de uma noiva. Como fazer um vestido “caudão” para a cerimônia e tirar na festa sem ser saiote?
AC: Eu faço muitas caudas removíveis. Acho muito bonito na festa ter uma saia com um alongadinho, sem ser aquele “caudão”. Eu penso sempre na hora do recolhimento da cauda. Não gosto quando puxa e fica aquela coisa embolada. Então eu penso na cauda removível ou eu faço embutimento para dentro e depois para fora. Mas eu tento fazer de um jeito que para a festa fique mais interessante.

IC: Fala um pouco também da relação do tipo físico da noiva com o tipo de corte do vestido.
AC: Toda noiva quer ficar magra. Além da própria modelagem eu faço um esquema de elásticos internos para poder modelar o corpo, isso de acordo com cada físico. Dependendo do tipo físico não fica legal usar conta ou modelador, ele deforma o corpo. Agora que estamos com atendimento virtual eu sinto falta de sentir a maneira e a consistência, porque isso muda muito a escolha do material para poder modelar. Tem meninas muito magrinhas que eu fiz culote, bunda…aqui é plástica garantida. É muito importante cuidar da parte de dentro da roupa. Uma calcinha errada deforma o corpo e não fica bom. A roupa vai sendo construída de dentro para fora.

IC: É possível fazer um vestido romântico e sereia?
AC: Muito! Eu tive uma noiva que estava uma sereia linda, super elegante. Mas os tecidos eram mais fluidos, mesmo com a silhueta sereia. Na parte de baixo tem um corte feito em nesgas. Então a parte do quadril e da cintura vem bem estreita e depois a gente abre e embaixo fica bem fluido. As rendas florais também dão o romantismo. Não precisa ser toda impactante. Assim como um vestido romântico pode ser muito sexy, com uma roda linda, super romântico, mas a direção que se coloca a barbatana dá uma pegada de fetiche no vestido. Então dá pra fazer a “sexy sem ser vulgar”, mas também dá pra fazer a bonitinha que tem uma pegada sexy. Dá pra ser tudo, por isso é importante o entendimento de quem as pessoas querem ser naquele momento.

IC: E sobre as madrinhas. A composição do altar é muito importante. Como você ajuda a noiva na escolha dos vestidos das madrinhas?
AC: As pessoas gostam muito de fazer paleta de cor com as madrinhas. Mas aí depende se as madrinhas estão mais próximas. Às vezes cada madrinha está em um lugar, uma na Europa, uma nos Estados Unidos, outra aqui. É difícil concentrar todas para fazer. Aí querem comprar um único tecido para que todas fiquem iguais, tipo os casamentos americanos. O que eu oriento é ter pelo menos dois tecidos. Uma base e outras camadas. Então na hora da compra desse material tem que pensar que as madrinhas têm diferentes tipos físicos.É muito desagradável ser obrigada a usar aquele tecido. Um tecido mais encorpado para uma pessoa mais cheinha não favorece tanto. Se comprar um tecido mais fluido dá pra fazer uma manga, esconder o braço por exemplo. Eu ajudo as minhas noivas a fazer isso, não só a construir mas também a fazer a paleta de cor. Acontece muito das madrinhas chegarem com uma paleta de cor de parede, e isso não reflete a realidade. Quando a cor é passada para o tecido, é diferente. Então eu já faço uma paleta de cores, com diferentes texturas, como ela responde a cada iluminação. E também as madrinhas, que são pessoas que tem muita intimidade com a noiva, precisam entender o sonho da noiva. Às vezes as madrinhas reclamam da cor, mas é o sonho da noiva. E já que foram chamadas para serem madrinhas, que se abram para entender o que a noiva quer e que faça disso uma coisa agradável.

IC: E normalmente quando você faz a noiva, você faz as madrinhas também?
AC: Faço muito. Faço muito a mãe ea família mais próxima. Não consigo fazer todas as madrinhas, porque como falei, cada uma está em um lugar. Mas elas se organizam e marcam um dia para irem todas fazer a prova. Acaba virando um evento também.

IC: As madrinhas entram com acessórios?
AC: Normalmente uma carteira, uma bolsa. A gente também se preocupa com isso, se vai usar jóia ou bolsa. Hoje em dia a maior preocupação é o celular. Então a bolsa tem que ser bonita. E nesse momento é uma aparição, bolsa é para fazer aquela aparição e depois ela fica lá na mesa.

IC: Existe alguma coisa proibida em relação às madrinhas?
AC: Eu não gosto dessa palavra, proibição. Não tem nada proibido, mas tem que ter bom senso. Nenhuma madrinha deveria aparecer de branco, por exemplo. Deia o branco para a noiva. De preto pode. Eu não tenho essa coisa de certo e errado. Se você acredita que colocar todas as madrinhas de branco, vai lá. A pessoa tem que estar feliz, é o dia dela.

IC: Muito estilistas não gostam do buquê com a cor forte. Existe isso?
AC: Quando é um vestido muito clássico, com muita informação, um buquê que também tenha muita informação não acho que fica harmônico. Eu dou uma orientação, tem que ter a ver com elas e com o que elas acreditam. Se eu fosse casar hoje, casaria com um girassol que hoje tem uma relação simbólica com a minha vida. Mas tem que ter a ver também com a minha roupa. Então tem que estar atenta à estética. Eu sempre respeito muito a escolha delas, mas a gente dá uma ajudinha. Nunca impondo, mas mostrando.

IC: E se a noiva não quiser usar buquê?
AC: Não usa. Ela faz o que ela quiser. Quer segurar um peão? Segura um peão. Eu tive uma noiva que casou com um terço de madeira velho. Era o que ela utilizava, ela era super católica e rezava o terço todo dia. Era um terço gasto, muito lindo. Os significados que as coisas têm é muito importante.

IC: E sobre casar de calça, ou com duas peças ou com macacão?
AC: Já fiz alguns. Eu fiz uma noiva, uma senhora de 70 anos muito elegante, que não queria usar saia. Fiz uma pantalona de panamá com um casaquinho Chanel bordado com pérola e um corselet . Eram 3 peças. E é isso aí, casa do jeito que quiser.

IC: Você costuma opinar sobre o look do noivo? As noivas te perguntam sobre isso?
AC: muito. Eu falo para as noivas deixarem os noivos fazerem do jeito deles. Eles vêm no meu ateliê conversar comigo e eu acho muito legal. De acordo com o desejo dele a gente começa a organizar todo o palco, como um espetáculo. Tudo tem que conversar. Tive agora um noivo que queria casar com um terno todo quadriculado, diferentão. Eu falei “deixa ele”, vamos dar um jeito de fazer um link, seja com as gravatas ou com as daminhas. Ele também tem direito.

Na live tem isso tudo e mais um pouco. Dá o play na #livedonied!

 

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