Um olhar sobre o dia do noivo

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Texto Rodrigo de Melo

Tirando como base seu próprio casamento, Rodrigo de Melo, sócio-proprietário do , traz uma visão diferenciada sobre o dia do noivo. Veja!

Não faz tanto tempo, mas lembro do meu casamento como se tivesse sido há algumas horas atrás. Desde pequeno eu já sonhava com este dia e desejava que fosse da forma tradicional, com todo o glamour e simbolismo do ritual católico e uma festa à altura dos meus amigos e familiares tão queridos. Com muita alegria posso dizer que tudo foi ainda melhor.

Geralmente são as mulheres que planejam e sonham com esse tão esperado dia, mas admito, sem nenhuma vergonha, que esperei ansiosamente pela chegada da data. Aliás, como ilustrado na frase anterior, as noivas são sempre privilegiadas em relação à busca dos seus sonhos e a realização de todas as suas vontades para a cerimônia e o receptivo. O que dizer do dia de noiva, na qual ela é paparicada, usufrui de vários momentos de relaxamento, como massagem, sono da tarde, banhos de banheira, de piscina… Mas, e o noivo? Ele também não é merecedor de uma mínima atenção, uma parcela de recompensa por esta conquista em sua vida? Por que somos apenas um “detalhe”, só uma companhia para que a noiva não fique solitária em sua miniatura em cima do bolo? É hora de acabar com a opressão e nos unir, companheiros! Vamos lutar também pelo nosso dia de noivo! Em ano de eleições, até parece que quero angariar votos. Longe disso. Neste momento nostálgico, como em outros ao longo dos dias que se passaram desde o meu casório, relembro a felicidade que senti durante aquele fim de semana, e em especial, as horas que antecederam a cerimônia. Sem dúvida, foram instantes de nervosismo e apreensão, mas de grande alegria. À noite, iria estar ao lado da mulher pela qual passei toda a minha vida procurando – aquela quem amo mais que tudo, diante de todos os nossos amigos, familiares e perante Deus – para enfim, selarmos a nossa união.

Dia do noivo: lapela do noivo - Foto Fabio Ferreira

Não me entendam mal. Aquele dia de outono foi divertidíssimo, não mudaria nada. Entretanto, quem sabe aos poucos não conseguiremos algumas regalias, pelo menos uma pizza entregue em casa! Enfim, começarei a contar desde o momento em que acordei.

BOM DIA… É HOJE!

Tudo foi minuciosamente planejado, chegando às proximidades da perfeição: a noite seria longa, então, era necessário reunir todas as energias possíveis. O que me levava a infalível tarefa de dormir o máximo possível na noite anterior. Sem despertadores, celulares, ou qualquer coisa que pudesse fazer o mínimo de barulho e desperdiçar uma noite de sono tão valiosa. Tinha ido dormir às dez da noite, mas só peguei no sono depois de meia-noite. Tive um sono tranqüilo e agradável, é verdade, mas que não foi prolongado por mais de oito horas. Envolvido pelo silêncio e uma pequena claridade que já dominava o quarto, meus olhos se abriram e, em poucos segundos, já estava tão acordado como em um meio de tarde daquelas semanas mais corridas no trabalho. Fruto do nervosismo? Nada, imagina! Acordo assim todos os dias. Ou tento.

O próximo passo seria o café da manhã, para o qual o menu já estava enquadrado na programação do dia: uma alimentação leve, muita fibra na parte da manhã e uma dose de carboidratos bem equilibrada para acumular as energias necessárias para a grande noite. Sentei-me então na varanda, e enquanto me alimentava, curtia cada página do jornal com a data: 24 de maio de 2008. Queria aproveitar tudo desse dia.

Dia do noivo: preparativos para o dia - Foto Marcio Sheeny

A parte da manhã foi preenchida por diversas ligações para verificar se todos os detalhes estavam dentro da normalidade. Alguns amigos sugeriram que eu participasse da pelada do noivo, um jogo de futebol, que acontece no dia do casório e já é tido como tradição no Rio de Janeiro, mas que foi duramente rejeitado por minha noiva. Afinal, imagina se o noivo dela for vítima de um carrinho desleal e se contundir, não podendo estar presente na decisão da noite, com a arquibancada (da igreja) lotada, diante do juiz (padre) e a comissão técnica (pais e padrinhos)? Seria escalado então um reserva? Aí fui eu quem não gostou e o futebol ficou para outro dia. Uma pena, pois admito não ser detentor de um futebol arte, e sem dúvida, seria um dia no qual todo mundo ira querer agradar e deixar o noivo na cara do gol. Artilharia na certa.

Após o almoço decidi que era hora de sair um pouco. Aproveitei para ir até a casa de festas e ver de perto os preparativos. A festa já estava ganhando forma. No momento que cheguei, as mesas, cadeiras e lounges estavam quase todos nos devidos lugares, as flores já coloriam o ambiente, a arrumação da mesa de doces quase finalizada – um trabalho de paciência, perfilar todas aquelas centenas de doces – e a pista de dança, telão e torres de iluminação praticamente todos à postos para a diversão. Todo aquele conjunto, ainda sob a luz do dia, era de uma beleza tão singular que chegava a desafiar o nosso entendimento de como tudo aquilo consegue ganhar uma magia ainda maior quando cai a noite, quase que como um feitiço a serviço da realização do sonho que é o casamento.

A essa altura, ainda imaginando como seria aquele salão lotado com as pessoas mais importantes de nossas vidas,  me dei conta que já eram quase três da tarde e o dia caminhava para a reta final. Era hora de voltar para casa, pela última vez, solteiro.

QUASE LÁ…

Casar para mim foi uma realização, definitivamente muito longe de ser o fardo que muitos homens comentam. Digo isso porque acabei de usar a expressão “última vez solteiro”, como se fosse a ruptura de uma fase da vida que vai pular do divertido para o burocrático, da sexta para a segunda-feira. Entretanto, eu penso exatamente o contrário. Acredito que fazer tudo a dois é ainda melhor, principalmente se for com a mulher com quem você sempre sonhou. Para mim, essa expressão serviu na época para implicar carinhosamente com a minha noiva, como se eu estivesse em direção a um destino cruel e inevitável. Definitivamente, o completo oposto.

Chegando em casa, aproveitei para beber a minha última cerveja de solteiro. Apenas uma, afinal, me casaria algumas horas depois e eu queria proferir o sim, completamente sóbrio. E claro, joguei a última partida de videogame. Enquanto fazia esse ritual de despedida, me dei conta que aquele era o primeiro momento do dia em que eu estava realmente sozinho. Meu pai tomava as últimas providências em relação à festa, minha mãe já se arrumava no salão de beleza e os amigos pararam de ligar para dizer as mais diversas e batidas piadas. Parei para pensar em algo reprovável, mas indiscutivelmente curioso: se o noivo não estivesse satisfeito ou confuso sobre o que fazer, aquela seria a hora perfeita para fugir! Pode parecer loucura, mas os noivos que ouvimos em histórias lendárias, seja na vida real ou na ficção, sem dúvidas, aproveitaram uma hora como aquela para escapar. No meu caso, fugir só teria graça se fosse com a mulher que eu amo, exatamente aquela com quem eu estaria mais tarde, diante do padre. Comecei a me vestir, pois em breve o relógio marcaria cinco da tarde e eu ficaria a uma hora e meia de casar!

ENTRANDO NA NAVE

Fazer a barba, tomar um banho e colocar a roupa. Tarefa fácil para os noivos, se comparada à maratona que é o dia da noiva – mas que em contra partida recebe todas as regalias, que sequer são oferecidas a nós homens!. Devidamente arrumado, e já em companhia da minha mãe, era hora de ir para a igreja. Uma sensação inigualável poder dizer: “Ei, estou indo casar!”

Dia do noivo: antes da cerimônia - Foto Franco Rossi

Nunca o caminho para a igreja demorou tanto. Antes que alguém pergunte, sim, eu estava muito nervoso naquele carro. A nossa imaginação nos tortura com todas as infinitas possibilidades de algo dar errado: um pneu do carro furar, um engarrafamento, o Godzilla chegar à cidade justo naquele dia… Logo bate o arrependimento de ter saído tão tarde, de não ter se planejado melhor. Nessa hora o meu celular tocou. Atendi e era alguém do trabalho. Ao ouvir a minha voz, o silêncio do outro lado dizia tudo o que era necessário: havia cometido o pecado mortal de ligar errado e acabar falando com o noivo, uma figura, que próximo da hora do casamento era cercado de uma aura mitológica, quase sagrada, intocável. Mas, que pode falar no celular, ora. Pediu mil desculpas e disse que resolvia de outra forma, eu brinquei e falei que não tinha problema.

A esta altura, estávamos chegando e em poucos instantes, pela janela do carro, podia ver a fachada da igreja – alta, imponente, como em meus sonhos. Tive um inexplicável deja vu de um momento somente vivido em sonhos, seguido de um frio na barriga, com uma pitada de tremedeira nas pernas. Uma confusão total e, antes que perguntem de novo, eu estava muito nervoso!

Dia do noivo: trajes do noivo - Foto Bruno Stuckert

Desci do carro pela última vez solteiro (desculpem, não resisti) e na porta da Paróquia encontrei alguns amigos. Isto mesmo, alguns. Achei que ninguém iria e a igreja ficaria vazia. Segui em frente como um bravo soldado a caminho da batalha indefinida. Quase não notei o quanto a igreja estava linda – fato este que só pude comprovar pouco mais tarde, quando, no altar, vi um anjo entrando e sorrindo para mim, me fazendo quase chorar, como se voltasse a ser criança.

Depois de acertar os últimos detalhes, comecei a receber incontáveis abraços e felicitações. Os padrinhos chegaram aos poucos, cada um com a sua participação em nossas vidas, testemunhas de um pouquinho de nossa história. Depois disso, tudo aconteceu como que um flash: diante dos meus olhos eu vi perfilar os padrinhos que iam em direção ao altar, meu pai com a minha futura sogra e a minha mãe ao meu lado. Foi engraçado, pois em outras ocasiões em que fui padrinho de casamentos de amigos, simplesmente não tinha idéia de como seria a sensação ao ver a fila de padrinhos para o meu próprio matrimônio.

Dia do noivo: noivo e padrinhos - Foto Edson Pereira

Ao iniciar a música escolhida para os padrinhos, os casais, que estavam no canto da igreja, foram andando em direção ao altar, um a um. Era tudo muito rápido, a impressão era que tudo estava acelerado, como se o tempo estivesse sendo manipulado. Daí, quase que como em um estalo, lá estava eu, de mãos dadas com a minha mãe, pronto para caminhar pela nave da igreja. Aguardamos por um breve momento o início da música que marcaria a minha entrada, e foram instantes suficientes para respirar fundo, ver todas aquelas pessoas sorrindo para mim, notar que a igreja estava lotada, e deixar o nervosismo para trás. Não estava mais nervoso. Agora era só felicidade. Não ouvi a minha música, lembro apenas da cerimonialista fazendo menção para que começássemos a caminhar. E lá estava caminhando em direção ao altar, pronto para casar com a mulher da minha vida. Enquanto andava eu não enxergava direito as pessoas, era como se naquele momento eu tivesse adquirido um dom momentâneo de enxergar as energias em formas de cores e luzes. E a maneira que eu tinha para retribuir era apenas sorrir. Naquela hora desejei que o relógio andasse mais devagar. Só não sabia que momentos ainda melhores estavam por vir. Mas, isto é papo para outro dia.

Dia do noivo: recém-casados - Foto Franco Rossi

GANHANDO UMA PIZZA

Muitas histórias de casamentos são contadas por ai, mas as crônicas de um noivo não são tão comuns. Procurei nesse texto ser o mais fiel possível aos momentos que antecederam ao meu casamento. Como já disse, curti cada segundo, e o que posso dizer aos noivos é que aproveitem bastante, planejem bem, porque é um dia único. E brincadeiras à parte, também merecemos algumas regalias nesse dia. Já existem bons profissionais que oferecem tal serviço e quem sabe se torne uma regra assim como é para as noivas.  Quem sabe não ganharmos uma pizza em casa. Já pode ser um bom começo.

Dia do noivo: sapatos do noivo - Foto Studio 47 | Filipe Paes

E o seu dia do noivo, como foi? Veja também tudo sobre a escolha dos padrinhos e madrinhas!


CRÉDITOS

1. Franco Rossi | 2.  Fabio Ferreira | 3. Marcio Sheeny | 4, 5 e 6. Valery Garnica Herrera y Fernando Durán Jerez Focusmile | 7. Franco Rossi | 8. Bruno Stuckert | 9. Edson Pereira | 10. Franco Rossi | 11. Studio 47 – Filipe Paes


*Essa é uma reprodução da crônica postada na 19ª edição da Inesquecível Casamento RJ.

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