Saiba tudo sobre hora extra no casamento

Por  |  0 Comentários


Talvez você não saiba, mas a hora extra pode influenciar – e muito! – o orçamento da sua festa. Que tal ficar por dentro do assunto?

Muita gente não sabe, mas os gastos dos noivos não acabam assim que eles pisam no altar. O casal é responsável por determinados custos pós-festa, entre eles as horas extras cobradas por alguns profissionais. Por isso, nada de ignorar as entrelinhas do contrato: é essencial colocar na ponta do lápis que serviços podem ter seu preço elevado caso o evento se estenda por algum tempo. Com os números em mente, fica mais fácil tomar uma decisão acertada quando a animação do evento quiser falar mais alto. Isso porque cada minuto adicional é proporcionalmente mais caro do que o serviço como um todo.

Pela seriedade do assunto, conversamos com profissionais de diferentes setores para saber como eles lidam com a questão e o resultado você vê aqui. Mas adiantamos: o assunto não é consenso e costuma variar de acordo com cada fornecedor; o importante é sempre ter tudo previamente combinado e acertado por escrito. Para o cerimonialista Cláudio Tironi, independentemente da forma de trabalho de cada profissional, é fundamental deixar claro se a hora extra é ou não cobrada, além de qual será a porcentagem correspondente no caso de possíveis cobranças.

Ele dá tanta importância ao assunto que não se responsabiliza por nenhum fornecedor que os noivos queiram contratar e do qual não esteja 100% seguro da qualidade do trabalho. “Como essa questão costuma dar muito problema, faço questão de ler o contrato dos profissionais que não conheço e sinalizo para o casal cada ponto que porventura me preocupar”, conta. Tironi ainda lembra que, no mercado de casamentos, as tradicionais cinco horas de serviço costumam contar a partir do início efetivo da festa, e não do horário marcado no convite.

Hora extra no casamento - Lajedo - Foto: I Hate Flash

Isso significa que possíveis atrasos na cerimônia são tolerados – dentro de um limite de bom senso, é claro. Mas embora seja o mais comum, não se trata de uma regra e é essencial que os noivos saibam como funciona a prestação de serviços de cada fornecedor que decidirem contratar. As casas de festas, por exemplo, costumam ser mais rígidas em relação ao cronograma.

“Via de regra, o nosso contrato é de seis horas: uma para a cerimônia e cinco para a festa. E somos bem fieis ao contrato, por isso inclusive liberamos o espaço 30 minutos antes do marcado no convite para garantir que tudo comece pontualmente”, argumenta Mírio Marques, gerente da área de eventos do Lajedo. Na sua avaliação, esses cuidados funcionam bem e os noivos cada vez menos pedem horas extras porque elas geralmente acontecem exatamente quando há algum atraso no início da cerimônia.

Em outros casos, como quando o casal planeja muitas atrações, o período adicional costuma ser contratado antes mesmo do início da festa. “Tudo deve ser bem planejado. Quanto a gente vai organizar o evento, faz um cronograma reverso de acordo com o numero de atrações”, explica Mírio. As regras do My Garden são parecidas. Lá, os noivos contratam cinco horas de evento e ganham 60 minutos de tolerância. “Seguimos um briefing bem rígido e o horário é levado muito a sério em todos os quesitos”, explica Juliana Von Ostau.

Hora extra no casamento - My Garden - Foto: Gal Oliveira

E quanto custa a hora extra em cada um desses locais?

Lajedo: 15% sobre o valor total do contrato por cada hora adicional

My Garden: 10% sobre o valor total do contrato por cada hora adicional 

Como se trata de um custo significativamente alto, Mírio recomenda uma conversa transparente entre o local e os contratantes. “Às vezes estamos falando de uma festa para 200 pessoas e nos últimos momentos só vão ter 30 na pista de dança. Vale a pena gastar tanto nesse cenário?”, questiona o profissional. Ele também recomenda que os noivos intitulem algum responsável – como seus pais, por exemplo – para tomarem a decisão em seu nome, já que o casal estará muito envolvido no momento.

COMO FUNCIONA COM PROFISSIONAIS DE OUTROS SETORES? 

Na experiência de Tironi, não existem profissionais específicos que cobram ou não a hora extra. “Isso vai de empresa para empresa. Vários DJs optam por tocar até o momento em que houver pessoas na pista de dança, outros costumam cobrar após as cinco horas estipuladas no contrato”, exemplifica. O DJ André Werneck, por exemplo, não cobra as horas que ultrapassarem o estipulado no contrato.

“Ser escolhido para comandar o som de uma festa é uma grande honra e por isso eu trabalho pela data e sem cobrança de hora extra, mas cada profissional tem a sua proposta e a sua maneira de trabalhar”, afirma. Ainda assim, ele ressalta a importância de um contrato bem amarrado para dar segurança às duas partes. “Mesmo com a relação bacana que costuma surgir ao longo de tantos meses de contato com os noivos, é uma questão profissional e tudo deve constar no contrato”, enfatiza.

Os DJs Felipe Andrade e Daniel Goulart, por sua vez, têm o costume de cobrar hora extra após seis horas de evento. Na visão de Felipe, trata-se de uma medida justa para os envolvidos, contanto que tudo tenha sido acordado com antecedência. “São raros os casos que ultrapassam o horário estipulado, com exceção de locais como o Copacabana Palace e de casamentos realizados em propriedades da própria família”, afirma.

Em outros segmentos, principalmente os que envolvem recursos adicionais, a hora extra é mais comum. De acordo com Tironi, a maioria dos buffets e serviços de openbar cobra o tempo que adicional às cinco horas contratadas. “Quando se trata da mão de obra humana acho difícil não cobrar, a não ser que o valor do mesmo já esteja embutido na proposta inicial”, opina Levy Barros, da .

Hora extra no casamento -  - Foto: Felipe Lannes

Caso os noivos já saibam com antecedência que usarão algumas horas a mais, é possível fazer a cobrança previamente – o que é bastante comum em destination weddings. Na experiência de Daniel Goulart, por exemplo, festas na praia costumam durar de sete a oito horas. Outra possibilidade é cobrar o valor extra durante o casamento, quando muitos noivos se sentem tentados a estender o momento dos sonhos.

“[Pensando nesses imprevistos], o buffet normalmente leva 10% a mais de alimentos e bebidas que, se necessário for, podem ser acrescentados com o pedido do responsável pela festa”, explica Claudia dos Santos, do Buffet Saudável Sabor. Sua empresa cobra uma porcentagem em cima das horas que extrapolarem o contrato e recomenda que, com o auxílio do cerimonialista, o casal reserve um valor extra para esse tipo de gastos.

O Buffet Monique Benoliel, por outro lado, opta por entender as necessidades dos clientes antes de fechar o contrato, que já terá um valor acordado para todas as horas de festa que eles quiserem. “É um costume do meu buffet. No restante do setor costuma-se cobrar um preço menor por pessoa e depois a hora extra”, explica Monique, alertando que dessa maneira o orçamento pode crescer exponencialmente. Mais uma vez, tudo se resume a prestar atenção nos pormenores do contrato e ver qual modalidade está mais de acordo com o seu perfil.

CERIMONIALISTA: O MAESTRO DA ORQUESTRA

Dentro do assunto hora extra, a grande unanimidade reside na importância do cerimonialista em harmonizar as diferenças entre cada fornecedor, garantindo que o casal não tome decisões das quais possa se arrepender. “Com certeza ele alinha todo esse processo, verificando com os noivos se de fato vale a pena seguir com a festa e dando uma prévia desses custos adicionais para que eles não tenham surpresas após o grande dia”, opina Levy.

Hora extra no casamento - Claudio Tironi - Foto: Luiz Miranda

Para organizar toda essa logística, Tironi costuma conversar com os recém-casados uma hora antes do término previsto da festa para entender se ela irá continuar ou não. “É preciso checar com essa antecedência para informar os fornecedores, até porque alguns serviços demandam tempo para a desmontagem. Quando eles decidem, aviso a cada profissional o que vai acontecer em seguida”, explica.

“Contratar um cerimonial de ponta é fundamental para que ele indique profissionais com o perfil dos noivos, crie uma planilha financeira do evento e busque as prioridades na hora de montar o evento. Hoje em dia são tantas opções, tantas possibilidades, que muitos noivos acabam gastando mais do que o orçamento permite”, opina André Werneck.

CONSELHO DE MESTRE: CUIDADO COM OS EXCESSOS!

“Mais vale acabar a festa com tudo funcionando, do que por um motivo ruim, como uma briga ou outra coisa que aconteça pelos excessos”, enfatiza Tironi. Embora não cobre hora extra de seus clientes, ele argumenta que há um motivo bem fundamentado por trás da duração média estabelecida para os casamentos. Na sua visão, o ideal é que o evento tenha, no máximo, seis horas.

“Sete já acho preocupante e oito, desesperador. É essencial que a festa tenha um tempo de início, meio e fim para que seja impecável, porque depois começam a vir os imprevistos e transtornos. O teor alcoólico dos convidados aumenta e a quebra de material, por exemplo, fica maior”, explica.

Gostou das nossas dicas para se organizar a respeito da hora extra do casamento? Conta para a gente nos comentários!


Créditos

1- Fabio Ferreira Fotografia  |  2- I Hate Flash  |  3- Gal Oliveira  |  4- Felipe Lannes  |  5- Luiz Miranda

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterPin on PinterestShare on LinkedInEmail this to someonePrint this pageBuffer this pageDigg thisShare on RedditShare on Tumblr


avatar

Nascida em Minas, criada em Recife e apaixonada pelo Rio. Viajar o mundo é seu sonho, o que torna luas de mel e destination weddings um caso de amor à parte. Escolheu o jornalismo pela inquietante vontade de transformar em palavras histórias que mereçam ser contadas.