Casamento indiano: conheça suas cores e tradições

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Texto Diana Galvão

Hoje, é o último capítulo de Caminho das Índias, na sessão Vale a Pena Ver de Novo, por isso, resolvemos resgatar o sucesso da novela para falar sobre o casamento indiano. A trama mostrou a cultura hindu para ocidente e ainda inspirou muita gente com as tonalidades e costumes do povo nativo.

A vida é melhor a cores. Em casa, nas festas, no cinema e na tv. Vibrantes, as imagens da novela Caminho das Índias desde sua estreia em janeiro de 2009 passaram a inspirar cerimônias de casamento em todo o Brasil. A riqueza visual presente em minúcias de detalhes e formas tomadas no casamento de Rani (Brenda Haddad) e Komal (Ricardo Tozzi)  e, na sequência, a união de Maya (Juliana Paes) e Raj (Rodrigo Lombardi) deram o que falar, vista a grandiosidade do ritual. Assim, aqueles que desejam organizar uma celebração inesquecível ao estilo indiano precisam lançar mão das cores e da pluralidade de seus simbolismos espirituais e filosóficos. No figurino dos noivos e suas famílias, na ambientação dos espaços, nos pormenores dos arranjos de flores e nas mesas do buffet. Mas como perceber a importância das paletas e tons na cultura hindu especificamente no ritual do casamento?

Casamento indiano - Foto TV Globo/ Kiko Cabral

“Percorri a Índia setentrional pela primeira vez com minhas filhas e, alguns meses depois, com a afinada equipe da novela, fixada no Rajastão, onde se passou a trama de Glória Perez. Na paisagem, nos vimos envoltos numa profusão de sons, aromas, pessoas e cores. Organizei uma escala de tonalidades a começar pelo vermelho e rosa pink, presentes nos rituais mais importantes da vida religiosa, privada e pública dos indianos, seguidos dos alaranjados, azul cobalto, amarelo, marrom, ocre, verde grana e violáceos ”, declara Emilia Duncan, figurinista da novela.

Casamento indiano - Foto TV Globo/ Frederico Rozário

Ela conta que as cores usadas no casamento são auspiciosas e representam fertilidade, fogosidade, prosperidade material, longevidade e boa saúde. Ao pensar numa narrativa imagética para pontuar os capítulos para o casamento de Rani, foi escalada a estética do rosa, uma escolha de Emilia e da produtora de arte Ana Maria Magalhães. A ideia foi preservar o poderio do vermelho púrpuro para Maya, a protagonista da trama. O tom quente é soberano nos principais momentos da vida dos indianos, porque representa romance, libido, alegria, saúde e boa sorte. É marcado no vestido de noiva; nas jóias; nos desenhos de henna nas mãos e pés femininos; e no sindoor, pó escarlate que simboliza a benção da prosperidade no casamento e segue no penteado da noiva. O vermelho também é presente na decoração da festa, na culinária e no pequeno quadrado de fogo atiçado com produtos que o faz reluzir púrpuro, disposto entre o casal e o sacerdote.

“Além disso, as duas cores ressaltam a sensualidade da jovialidade, característica das duas personagens, e ao mesmo tempo apontam para o fato das indianas de um modo geral casarem muito novas”, explica.


Casamento indiano - Foto TV Globo/ Renato Rocha MirandaNa Índia, o ritual do casamento é a festa suprema, esperada e planejada desde o nascimento dos filhos com acordos estabelecidos entre as famílias dos noivos e as bênçãos dos sacerdotes. Os guardiões e estudiosos das tradições buscam investigar e aprovar a idoneidade e a condição social (castas) dos familiares, bem como a combinação dos horóscopos, a compatibilidade de gênios do futuro casal. No país, o estudo profundo da astrologia orienta a escolha das datas mais favoráveis aos mais importantes momentos do povo indiano, como o nascimento dos filhos, o batizado, as viagens e a assinatura de novos contratos comercias. O casamento é, portanto, uma troca solene de juras amorosas e um acordo de interesses explícitos entre as partes envolvidas, concebido para durar para sempre entre os cônjuges. Isso explica o alto investimento do pai da noiva em relação ao dote, ao translado, a estadia dos convidados e aos mil e um preparativos da festa, como acontece nas famílias abastadas.


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Aos olhos dos ocidentais, o casamento indiano é pura exibição e exotismo com duração de três dias, ou mais. Mas, para o povo nativo, é pensado como a celebração máxima do clã, pois, na afirmação dos princípios da cultura secular, a filha se casa somente uma vez. Como revelam as juras trocadas por Rani e Komal:

“As forças da natureza te deram a mim e te deram a ti. Tu és a terra, eu sou o céu. Que venham muitos filhos e que eles vivam uma vida longa. Que nós dois possamos ver cem primaveras juntos”.

Curiosamente no Rajastão, região onde os casamentos são mais vistosos e divertidos, a comemoração inclui um convite triplo:

Sexta à noite: recepção num hotel de luxo com danças, coquetel e jantar

Sábado à tarde: são feitos o tikka – pó colocado no meio dos olhos, entre as sobrancelhas, para simbolizar a terceira visão, o olhar espiritual e o mehendi desenhos de henna feito nas mãos femininas a fim de simbolizar energias positivas, a purificação e a riqueza, tido como um poderoso elemento de sedução. Depois acontece o tel baan – banhos purificantes de turmeric uma mistura avermelhada de especiaria e óleo vegetal passado pelas pessoas mais próximas da família no corpo da noiva e em seguida nos braços e nas mãos do noivo. Neste dia, um grupo de cantores e dançarinas com os trajes típicos rajastanis animam a festa

Domingo de manhã: celebração feita numa fazenda ou sítio, decorado com flores naturais, onde ocorre a chuva de pétalas sobre as cabeças dos noivos. Depois, ocorre o almoço. A comemoração perdura pela madrugada até o dia seguinte. O menu inclui bolinhos de farinha com sopa de lentilha e comida embrulhada em folhas, enterrada e cozida na brasa. Uma viagem para os olhos e o paladar!

Como se não bastasse tudo isso, o figurino é fascinante. A novela mostrou a arte milenar de amarrar o sári. Sensual e ao mesmo tempo comportada, a peça é enrolada habilmente e usada em variadas circunstâncias, como no casamento indiano. Sem botões, costuras, ou zíper, molda a silhueta favorável ao corpo da mulher, cuja graciosidade é acentuada pelos movimentos delicados e articulados na vida cotidiana e nas danças tradicionais. Heranças da sedução hindu, dos ensinamentos passados de geração a geração especialmente às integrantes das altas castas e da realeza, como a personagem Maya.

Casamento indiano - Foto TV Globo/ Frederico Rozário

Emilia conta que sári ou saree é um traje de casamento disseminado por toda a Índia, principalmente no Rajastão, o maior estado do país. “São formadas duas bases”, explica a figurinista. A blusa justa ao corpo (choli) de manga curta e a saia longa generosamente rodada (gaghra) ou justa da cintura até o joelho, de onde se abre sua roda (lengha). Concebidos em seda, algodão silk ou chiffon; ora bordados, pintados à mão ou decorados com diferentes ornamentos, o sári foi difundidos pelas maharanis, as esposas dos maharajas (em sânscrito significa grande rei), dos estados do norte e noroeste. O branco é destinado às viúvas numa metáfora a não-cor, a ausência total de vaidade e, o preto – por sua vez – é sinal de mau agouro.

Casamento indiano - Foto TV Globo/ Kiko Cabral

“Você sabe quem são as viúvas, porque estão com trajes brancos, sem maquiagem, sem joias a exemplo da personagem Laksmi (Laura Cardoso)”, lembra Emilia. O costume do sári é milenar, porém, no casamento contemporâneo, não podem faltar a gaghra choli ou lengha choli, ambos sugeridos pela força cultural e capital de Bollywood, a maior indústria de cinema indiana.


CRÉDITOS

1, 2 e 6. TV Globo/ Kiko Cabral  |  3 e 5. TV Globo/ Frederico Rozário  |  4. TV Globo/ Renato Rocha Miranda

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