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Design floral de primeiro mundo

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O holandês Robert Koene tem um estilo complicado simples que deixa as flores falarem. Quer ver?

Ele brinca que é um ‘holandês voador’. Nasceu em Den Haag (cidade onde fica o Palácio da Paz, na Holanda), mas anda perambulando mundo afora há mais de 20 anos. Já morou no Japão, Arábia Saudita, Ilhas Gregas, Irlanda e sua última parada foi na Grécia. Por onde quer que vá leva consigo uma das maiores características do seu país de origem: a floricultura.

Descendente de uma família de artistas, Robert Koene cresceu no meio das flores, já que seu pai as exportava e sempre falava com entusiasmo desse mercado. Quando decidiu cuidar do empreendimento lhe foi exigido um curso para entender o negócio das flores e toda a parte de design floral. E lá foi ele, aos 16 anos, para a conceituada Huis te Lande – escola especializada na cultivação e arte floral com mais de 80 anos de tradição – em busca do título de mestre floral.

Atualmente, existe uma média de 300 mestres floristas no mundo. Segundo ele, é um curso muito difícil. “São 4 anos de graduação e depois mais 2 de especialização para se tornar mestre. No meu curso entraram 23 e formaram-se 8. É uma profissão que está desaparecendo aos poucos. Acredito que quem se especializar terá sucesso porque a concorrência é muito pequena. Meu receio é que a qualidade profissional também diminua”, explica.Designer-Floral-Robert-Koene

Há 31 anos atuando na área, Robert já trabalhou com o top designer de flores Daniel Ost e tem no currículo uma lista recheada de clientes bilionários da índia, Dubai e Arábia Saudita – com nomes proibidos de serem divulgados (o que é uma pena para ele porque daria para escrever um livro com histórias fascinantes!). Tempos atrás, ele fazia mais de 5 casamentos por semana. Já fez 18 casamentos só da família real em um ano e, hoje não quer quantidade, mas sim qualidade. Seus projetos são tão elaborados que não é viável fazer mais de 5 por ano.

À procura da sintonia perfeita com a personalidade dos noivos, Koene confessa – como um bom artista – que o céu é o limite. Para ele, independentemente da cultura do casal, o ponto principal são os pequenos detalhes. Algo que surpreenda, saia do convencional e explore o design “fora da caixa”. Assim como as brasileiras, sua noivas são indecisas e superantenadas. “Trabalhar para elas é um desafio. Como têm muito acesso a informação, a expectativa é enorme e muitas vezes elas querem coisas impossíveis. E é aí que entra a expertise do profissional, mostrando alternativas aplicáveis e executando o sonho da melhor maneira – até quando a noiva não sabe o que quer e é preciso entrar na cabeça dela e usar meu feeling para interpretar sua vontade”, explica.

MÃO NA MASSA

Para se dedicar inteiramente ao que faz, Koene prova novamente ser um “holandês voador” e gosta de se mudar para o país onde está desenvolvendo tal trabalho. Para começar, ele entende o que o cliente espera como resultado e que tipo de sentimento quer causar nos convidados. A partir daí, desenvolve o design da festa. “Pra produções grandiosas, elaboro um projeto 3D – muito laborioso e caro. Depois monto o orçamento, mensuro as flores, mão de obra, estrutura e tudo o que diz respeito a produção”. E como é “nômade” trabalha recrutando equipes nos países onde desenvolve projetos. Devido a sua boa reputação é muito fácil montar um time com floristas e outros colaboradores.

ESTILO PRÓPRIO

Suas propostas são mais extravagantes e seu prazer é deixar as flores falarem. Ele trabalha com material 100% orgânico ou flores de seda ou preservadas (que duram em média um ano). “Meu estilo é um complicado simples. Primeiro porque criar algo simples é complicado e segundo em função das minhas multirreferências. Sou um artista floral com uma tendência mais mediterrânea, com influência árabe. Não sou um holandês típico, eles são conhecidos por seguirem uma linha com poucas flores e muitas formas”, conclui. Koene vai por outra vertente – mesmo tendo o estilo arquitetônico de formas e linhas –, sua maior característica é o uso de muitas flores, dando a ele uma assinatura mais elaborada e original, com design atemporal.

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BRASIL X MUNDO

Na Europa existe uma linha que divide o país ao meio. De Roma para cima, os casamentos são mais humildes, com poucas flores. E para baixo, na Espanha, sul da Itália, Grécia, Turquia, os casamentos são tão bons quanto os brasileiros, investe-se muito em decoração – ele fez questão de enfatizar. Como a maioria de suas noivas são do Oriente Médio, da índia e do Mediterrâneo, pode-se imaginar o quanto as festas são magníficas! De outro mundo, realmente.

Aqui no Brasil, Koene ainda não tem fãs. Quer vir para cá desenvolver seu trabalho porque o mercado de casamento no país é muito bom. Na IC Week São Paulo, ele conheceu o decorador Castro Bernardes e gostou muito dos traços dos projetos dele. “O mercado de festa está em ascensão no Brasil, ele está à frente, com um nível bom, mas tratando-se de arte floral, o ramo tem muito a ser explorado. As flores típicas brasileiras são maravilhosas!”

SÓ DE CURIOSIDADE:

  • O casamento mais extravagante foi na Arábia Saudita, onde usou mais de 1 milhão de flores. Em um sofá foram usadas 1000 orquídeas phalaenopsis e só no banheiro que ele ficou 3 dias decorando foram gastos 50 mil euros
  • Para ele, o casamento não precisa ser grandioso e sim, bem trabalhado! Prova disso foi um casamento que explorou apenas 4 arranjos na mesa, onde cada custou mil euros e na varanda usou 25 mil flores
  • Um dos casamentos mais difíceis que realizou foi de um cliente que não permitiu usar a cor verde porque seu maior rival de futebol tinha o verde como a cor oficial do time. “Não pude usar folhagem nos arranjos, na decoração, no buquê… um pesadelo para qualquer designer floral”
  • Tendência para ele é o último estágio para algo ficar brega, mas pontuou o quanto o uso de muitas flores está em alta no cenário mundial. “Acredito que tenha a ver com a crise econômica, as pessoas querem mostrar o que elas podem”
  • O que mais gostou no Brasil: vitamina de abacate, Foz do Iguaçu, Manaus, Amazonas e toda a riqueza cultural. “As pessoas são felizes aqui, riem o tempo todo, gostam de se divertir, isso é impressionante!”

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Jornalista mineira, dona de uma coleção de sonhos e apaixonada pelo o que é leve. Nunca subiu ao altar, mas nutre a certeza de chegar lá com seu amor da vida. Adora combinar palavras para contar histórias e assume ter uma queda por casamentos ao ar livre.