Educação financeira: como não deixar a crise afetar o casamento?

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A educação financeira é fundamental para manter um relacionamento saudável no casamento.

A lida com as finanças é motivo de briga entre muitos casais, chegando a ser uma das principais causas de separação. Com a crise, é preciso ainda mais diálogo e planejamento para não minar o relacionamento por conta das dívidas e do descontrole financeiro. É imprescindível que o casal mantenha um bom diálogo, com honestidade, em relação a tudo, inclusive às finanças.

Segundo Reinaldo Domingos, doutor em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, o primeiro passo é falar sobre dinheiro e desmistificar alguns pontos importantes. “Depois do casamento é hora de organizar o orçamento, priorizando um valor destinado aos sonhos, que deve vir antes mesmo do que o das despesas regulares do dia a dia. Não adianta esperar que sobre dinheiro no final do ano, pois isso não acontece. Então, retira-se a quantia necessária e, com o que sobrar, adequa-se o padrão de vida. Acreditem, é possível viver assim, tendo muito mais realizações”, alerta o especialista.

No dia a dia não existem regras, a única coisa que é indispensável é a conversa. Não importa se apenas um paga tudo, se dividem igualmente os valores de todas as contas ou se cada um paga proporcional ao seu ganho mensal, mas, qualquer que seja a decisão, é preciso que seja feita em conjunto, em comum acordo, para evitar problemas – sérios – mais pra frente.

Para evitar discussões sobre dinheiro é importante falar sempre sobre sonhos. Eles unem ainda mais o casal e ainda evitam problemas financeiros. “Porque, quando temos um objetivo na vida, temos foco e acabamos gastando menos com coisas supérfluas e por impulsos consumistas. Um ponto importante é ambos terem sonhos individuais e coletivos, não apenas um dos dois”, ressalta Reinaldo.

Relacionem, juntos, no mínimo, três sonhos: um de curto (até um ano), um de médio (de um a dez anos) e outro de longo prazo (acima de dez anos). Pode ser uma simples compra de eletrodoméstico/eletrônico, uma viagem para algum lugar que queiram ou a chegada de um filho até a troca do carro, a aquisição da casa própria ou a aposentadoria sustentável.

Educação financeira para casais: aprender a poupar

DIFERENTES TIPOS DE CASAIS

Reinaldo destaque diferentes tipos de casais:

    1. Casais que tem cumplicidade nas finanças, sendo parceiros na administração do dinheiro ao estabelecer os objetivos que desejam conquistar juntos, orçar os custos e cortar despesas para realizá-los.
    2. Casais que, apesar de respeitarem o espaço um do outro, não estão em completa sintonia. Estes devem conversar abertamente: fazer um diagnóstico de sua situação financeira, conhecer os ganhos e os gastos um do outro e estabelecer objetivos.
    3. Casais que apenas um ou, pior, nenhum dos dois é comprometido com o controle das finanças. Essa situação é preocupante, pois pode gerar conflitos no longo prazo. O ideal é que ajam como parceiros e dividam a responsabilidade, conversando abertamente sobre as finanças. Juntos, terão forças para consumir de forma consciente, poupar e realizar seus sonhos.


Mas independente do tipo do casal, em meio a crise financeira, é preciso recuperar a confiança e agir para sair dessa situação. “A felicidade depende somente da gente. Nós decidimos a vida queremos ter e traçamos as estratégias para alcançar. E a educação financeira é o melhor caminho para essa jornada”, acrescenta o especialista que propõem quatro dicas para sair da crise:

  • Livre-se das dívidas procure negociar, pois em meio a crise financeira nacional, as dívidas podem ter seu valor diminuído e ainda serem pagas em condições melhores. No entanto, as pessoas devem entender que essa é apenas uma maneira de resolver a consequência do problema, algo pontual, e não a causa dele. Para isso, a primeira atitude é adequar-se ao seu padrão de vida, que passa por uma mudança de comportamento, obtida com educação financeira.
  • Hora de faxina financeira de 20 a 30% das despesas domésticas são supérfluas, o que mostra que há uma boa margem para reduzir e até cortar gastos. Para que possa avaliar para onde está indo cada centavo do dinheiro e fazer essa adaptação, é importante que o casal realize um diagnóstico financeiro 30 dias, separando os gastos por tipo de despesa. Esse controle não deve ser feito por mais de 90 dias (para aqueles que possuem ganhos variáveis, por exemplo), pois, quando vira rotina, perde a eficácia.
  • Sonhem mais não é porque a situação não anda boa que o casal deve deixar os sonhos de lado. Arranjem tempo para listar os objetivos materiais, até mesmo para ajudar a evitar o desespero natural em momentos como esse e os impulsos consumistas que nos levam ao endividamento inconsciente. Reúna a família e conversem sobre os sonhos individuais e coletivos.
  • Mude o formato de seu orçamento um erro comum é pensar que orçamento financeiro familiar consiste em registrar o que se ganha e subtrair o que se gasta e, caso sobre dinheiro, será lucro, se faltar, prejuízo. Ao invés de fazer Ganhos (-) Gastos = Lucro/Prejuízo, façam Ganhos (-) Sonhos (-) Gastos. Veja, dessa forma contas batem e vocês estarão priorizando os seus objetivos e ajustando seu padrão de vida ao valor que sobrar. Para isso, logo que receberem seus salários, devem retirar a quantia mensal necessária para a realização, colocando esse dinheiro na melhor opção de investimento de acordo com o prazo desse sonho.

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Carioca apaixonada pelo Rio de Janeiro, mas curitibana de coração. Jornalista por vocação, adora escrever sobre moda, beleza, viagens e decoração. Fascinada pelo universo das festas, sonha com um casamento nas Maldivas.