Alianças do casamento: a simbologia do anel

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Texto: Alessandra Pereira 

Por trás das alianças do casamento existem algumas histórias e curiosidades que provavelmente você não sabia. Confira agora tudo sobre esse joia hiper simbólica!

Em nossa cultura, o uso de uma aliança supõe que uma pessoa está comprometida com outra, num envolvimento amoroso. As alianças são usadas desde a Antiguidade, onde cada povo possuía acordos distintos a partir de suas próprias tradições e simbologias. 

O nome tem como significado “acordo” ou “pacto” entre as partes, cujo contexto envolve a união de um casal sob a condição do amor, cumplicidade, respeito e fidelidade. Trata-se de uma espécie de elo material para algo também considerado espiritual, como se entende o encontro amoroso de um casal e sua utilização propõe expor a sociedade esse compromisso. 

A joia dos tempos atuais significa a eternidade, já que o círculo em que a aliança é formada, não tem fim. As mais tradicionais são feitas de ouro, com o nome do noivo ou da noiva gravado na parte de dentro. Mas hoje há uma grande variedade de modelos e materiais usados, incluindo pedras preciosas, ouro branco, prata e outros metais. Há casos, inclusive, que o anel de noivado possui uma pedra como diamante, para que no casamento seja incluída a aliança tradicional circular. 

Há uma antiga crença de que o dedo anular esquerdo possui uma veia com conexão direta ao coração, fazendo com que o uso do anel no local sele o compromisso por completo. Dessa forma, os ainda noivos usam aliança no dedo anular direito e trocam para o esquerdo quando se casam. 

Foto: Anderson Marques

As histórias que envolvem a troca de alianças

A joia já teve inúmeros formatos, materiais e significados, indo muito além de uma singela representação do amor. Como grande parte dos casamentos do passado eram negociados entre as famílias, a troca de alianças selava o contrato firmado entre elas, garantindo o desenvolvimento do negócio. 

A mais remota informação sobre alianças vem do Egito na Antiguidade, há mais de cinco mil anos. Eles já viam o círculo como a forma geométrica mais perfeita e atribuíam a ele a imortalidade do amor e a vida eterna, através de um portal localizado no centro. A lógica de usar anéis no quarto dedo vem desse período, a partir da compreensão do povo de que havia uma conexão do coração com o usuário do anel, fazendo com que as alianças se tornassem a joia oficial dos casamentos da época.  

Já na Grécia, o uso da aliança em casamentos se solidificou. Já fazia parte da tradição dos casais de noivos o uso do objeto, geralmente confeccionados em ferro imantado, que para os nativos fazia com que os casais mantivessem o interesse mútuo ao longo dos anos. Foi Alexandre, o Grande, quem introduziu o uso de alianças para casais, logo após o domínio do Egito, sendo uma ponte entre as tradições culturais de ambas as civilizações. 

Propagando essa cultura matrimonial, os gregos logo foram percussores do uso de alianças entre casais. Como aconteceu com os romanos, que ao conquistarem a Grécia adotaram as alianças na mão esquerda. Logo o cristianismo romano estabeleceu a troca de alianças no dedo anelar esquerdo, como forma de concretizar o casamento diante de Deus em decreto de 860 d.C. por Papa Nicolay I. A aliança para os romanos foi muito além da ideia do amor, para se tornar símbolo de posse, já que a mulher que aceitava o anel de um homem passaria a pertencer a ele. 

No mundo árabe e asiático, os anéis puzzle passaram a ser usados como alianças, para que os maridos pudessem ter um maior controle sobre suas esposas. Tudo porque esse tipo de anel é composto por vários círculos, geralmente de metais diferentes, que se conectam entre si e podem ser separados. Caso a esposa retirasse o anel para enganar o marido enquanto ele estivesse fora, ela não conseguiria montá-lo novamente no dedo, o que demonstraria a sua traição. 

Foto Anna Quast & Ricky Arruda

A aliança de noivado e os tempos atuais

Na idade média os casamentos não eram românticos e as alianças passaram a ser obrigatórias também em noivados. O Papa Inocente III foi quem impôs o uso das alianças nessa etapa do casal, que tinha foco nas mulheres. Uma mulher que se comprometesse a um homem em noivado, deveria usar sua aliança para mostrar o compromisso a todos e caso fosse julgada como traidora, não poderia mais noivar com outra pessoa e seria considerada adultera. 

No ritual católico, as alianças eram trocadas entre os noivos como símbolo de fidelidade durante aquela união. Enquanto a ciência da anatomia provou que essa veia entre o dedo anelar e o coração não existe, os asiáticos apresentaram que a região possui um meridiano que faz essa conexão e é muito usada na acupuntura. 

Hoje as alianças de compromisso voltaram a ser usadas, mesmo que não exista um noivado para certifica-la. Namorados apaixonados usam alianças de compromisso para demonstrarem um ao outro a força do amor que os unem. Em geral são usados anéis com pedras ou alianças em formatos tradicionais, mas em ouro branco ou prata. 

Os americanos mantém a tradição do uso de anel de noivado para as noivas. O noivo dá um anel que pode ter sido usado pela sua mãe ou avó, oferecendo a mulher amada para demonstrar seu interesse em ter com ela um casamento realmente duradouro. Eles utilizam o anel no mesmo dedo anelar esquerdo, mas no casamento há uma troca para que sejam colocadas as alianças da cerimônia. 

O ouro é o metal majoritariamente escolhido entre os casais, para alianças de casamento. O metal nobre, conhecido por conceitos como poder, riqueza e grandeza, vem perdendo espaço para outros materiais. O formato das alianças também estão ganhando outros designs e trazendo exclusividade aos noivos. 

Alguns casais trocam ou incluem novas alianças quando fazem bodas de prata, ouro ou brilhante, respectivamente após 25, 50 e 75 anos de casados. A substituição serve para trazer ao casal mais jovialidade, com novos designs e propostas. 

Foto: Kyra Mirsky

 


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