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Afinal, de quem é a pista, dos noivos ou dos convidados?

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Esse assunto foi debatido na mesa redonda dos DJs no IC Week 2016 e gerou muita polêmica. E voltamos ao tema para enfim desvendar: quem dita a playlist da festa?

Você se reúne com o DJ e juntos passam horas conversando sobre a música da festa, montam uma playlist “ideal” e no grande dia os convidados não curtem o seu gosto musical e querem dançar outras músicas. Que situação, né? O que fazer? Para me ajudar a responder essa difícil pergunta, eu convidei um super time de DJs especializados em festas de casamento e ninguém menos do que Roberto Cohen, o mais conceituado cerimonialista do país. E ainda joguei um pouco de pimenta na pergunta para ficar mais interessante. De quem é a pista, dos noivos, dos convidados ou do DJ? Vale a pena conferir as opiniões.

Começando com o DJ Taw, da Rastropop, um dos profissionais mais requisitados e respeitados do país quando o assunto é “pista bombada”. “A pista de um casamento deveria ser sempre dos convidados, pois uma pista “inclusiva” é sempre mais animada do que uma pista “excludente” revela ele. Um bom DJ saberia entender essa pista e tocar o que ela “pede”. Entretanto, entendo que o meu papel como profissional de casamento é seguir as diretrizes de quem está me contratando. Às vezes existe um preço a pagar, e esse preço pode acabar sendo uma pista menos animada. O ideal seria o contratante entender que o DJ é o especialista e ele deveria ter “o direito de tocar o que quisesse”. É isso que devemos mostrar ao contratante na reunião pra entender o estilo da festa, mas, nem sempre funciona assim. Por que não funciona assim? Porque música é paixão! Música é emoção! E o contratante tem todo o direito de odiar tal música ou tal estilo se isso o incomodar.”

Marcelo Lyrio, da M2 Eventos, foi enfático: “Quem manda na pista de uma festa de casamento são os noivos. Porém, cabe ao dj lançar mão de toda a sua experiência e de seu talento para agradar tanto ao casal quanto seus convidados, trabalhando sempre de acordo com o perfil musical traçado na reunião com o casal.”

Para Daniel Ragi, da Agência Conexx, o dj tem muito peso na decisão: “Quem manda são os noivos, afinal são os contratantes. Porém, uma das tarefas do dj é fazer o direcionamento deles, para que noivos e convidados “falem a mesma língua” e a festa seja divertida para todos.

O Dj Marcelo Cupim também concorda com Lyrio e Ragi e tem uma posição bem firme. “Sou um prestador de serviços, quero o meu cliente satisfeito e procuro deixar tudo defino nas reuniões com o casal. Como sou empresário, além de DJ, o que mais quero é o casal feliz, para que eles me indiquem com segurança para novos clientes. Se eu puder atender os pedidos dos convidados dentro do que foi combinado, o farei com prazer. Mas se não estiver dentro do repertório combinado com o cliente, não rola…”

Para Milton Chuquer, um dos DJs mais requisitados para tocar em festas de casamento pelo país, a pista é dos convidados! “Se eles estiverem alinhados com os noivos, OK. Se não, os convidados prevalecem. O mundo ideal é quando todos estão em sintonia, DJ, noivos e convidados.”

Ao contrário da maioria dos DJs com quem conversei, Milton Chuquer tem um estilo muito pessoal, um bom gosto musical incrível e toca muita House Music. Perguntei o que acontece quando a lista dos noivos tem coisas que fogem ao seu estilo? “90% das pessoas que me procuram já conhecem o meu trabalho. Na medida do possível eu tento dobrar isso, desde que consiga manter bem a pista cheia. Mas quando não tem jeito, meu assistente toca” .

Também de São Paulo, conversei com outro grande DJ de casamentos, Ronaldo Gasparian:

“Imagine a seguinte situação você vai fazer sua festa de casamento e a grande maioria de seus convidados são vegetarianos. Você é o cara do churrasco, que ama uma picanha mal passada e decide que no seu casamento todo mundo vai ter que comer só carne. Já dá pra imaginar o que vai acontecer né? Com a música é a mesma coisa. Você pode ter um gosto musical único e que considera perfeito e é natural você achar que todos seus convidados vão gostar do que você gosta. Você chega pro DJ que vai tocar na sua festa e explica o tipo de música que você quer e proíbe que ele toque determinados estilos que você não curte muito. Durante a festa, os convidados começam a pedir justamente os estilos que você proibiu e não é só uma pessoa pedindo, são várias. O que você faz? Obriga as pessoas a gostarem na marra do seu estilo musical ou se rende ao gosto dos seus convidados? Claro que estamos falando de coisas razoáveis, com bom senso. Contrate um bom DJ, que te passe segurança e tenha uma boa experiência; e deixe ele livre pra poder mesclar, com equilíbrio, o seu gosto ao gosto da maioria dos seus convidados. Certeza que isso vai fazer do seu casamento uma festa bem mais animada.”

De São Paulo vamos para Curitiba. Levei a pergunta para Roberto Rego, um profissional que eu respeito muito e sempre tem ótimos argumentos. Ele respondeu de bate pronto: “os noivos!”, mas depois destacou alguns pontos importantes: “Tenho o seguinte princípio de quem paga é quem manda, porém uma das funções do DJ é orientar o contratante, seja ele o casal, a família da noiva, o cerimonialista, o produtor, etc. Eu gosto de explicar como elaboro uma programação musical, o que está tocando, quais as músicas dentro do perfil dos convidados (e do casal) estão dando certo nas festas, que hora tocar determinada música, como encaixar a lista de músicas do casal na programação da festa sem perder a pista e dando a sensação para o casal que a programação foi bem personalizada, isso tudo posso afirmar que seria até nossa função. Nós os Profissionais temos a obrigação de fazer, com muito carinho e jeito, as famílias entenderem que eles fazem a festa para os Convidados, e eles tem que pensar na música como eles pensam na gastronomia. Não é porque o casal gosta de comida Tailandesa com bastante pimenta que vão oferecer isso para todos os convidados. Não vai dar certo! Na programação musical é o mesmo princípio.”

Também do Paraná, vamos conhecer a opinião do DJ André Velasquez: “Na minha modesta opinião como DJ de casamentos do interior do Paraná, o DJ manda na pista com seu “feeling”, observando os convidados e com as dicas dos noivos de suas preferências pessoais. É o DJ que fica com a terafa de administrar a pista da melhor forma para manter consistência por um longo período de tempo.”

De Portugal, Ricardo Araújo, mandou o seu recado: “Para responder a sua pergunta, preciso te fazer outra: que tipo de DJ você contratou? Aquele artista que é citado na revista como um convidado ilustre ou aquele parceiro, que é citado na ficha técnica do evento?”

Para o experiente DJ Alexandre Cappelli, a pista deve ser para todos, noivos e convidados, já que a idéia é proporcionar para todos uma noite muito agradável. Mas ele alerta: “Até você explicar pra todo mundo que existe uma lista de músicas imposta pelos noivos… Não acho legal não. Os convidados vão formar uma opinião negativa a respeito do trabalho do DJ.”

Para abrilhantar ainda mais esta matéria, eu bati um papo muito especial com Elvert Brandão, o pioneiro nessa história de DJ de festa de casamento. Músico espetacular e amante do jazz, essa história começou em 1972 quando ele virou o pianista do Country Club em Ipanema e fazia o som das festas mais chiques do Rio de Janeiro com seu órgão Hammond. Aos poucos ele começou a misturar o seu teclado fantástico com bases pré-gravadas, para dar uma turbinada no som. A pista bombava de verdade com muitos casais dançando cheek to cheek. Foi com esse “cara” que eu aprendi tudo do mundo das festas. Tudo!!! Aí ele percebeu que havia uma grande oportunidade no mercado e passou a intercalar o som ao vivo com o som mecânico de Frank Sinatra, Tony Bennett, Ella Fitzgerald, Big Bands, etc. Logo depois a música Disco explodiu nas Discotecas do planeta e foi nessa época que nós começamos a trabalhar juntos. Ele cuidava de tudo que envolvia a produção do evento, como escolha do local da pista de dança, posição do músico e DJ, luz indireta (não existiam esses projetos de luz espetaculares de hoje em dia) e eu gravava várias sequências mixadas para ele. Depois passei a atuar nas festas ao seu lado. Foi uma parceria espetacular que durou muitos anos! O sucesso foi tão grande que hoje o DJ especializado em festas de casamento virou uma profissão.

Elvert afirmou que a festa é dos convidados, porém tudo deve ser conversado antes. “Se você é um DJ que está iniciando a carreira, aí você deve aceitar tudo. Mas se você é um profissional conhecido, com uma marca consagrada, é muito perigoso. O seu nome vai estar em jogo. Você vai ganhar dinheiro, mas vai perder do outro lado”.

Aproveito a oportunidade para registrar a minha eterna gratidão a esta pessoa e profissional incrível que eu tive a honra de trabalhar e virar amigo.

Para fechar com chave de ouro, vamos conhecer a opinião do maior cerimonialista do país, Roberto Cohen: “Quem “Manda na Pista” são os noivos mas sugiro sempre que seja dado ao DJ o título de “Capitão da Pista”! Ou seja: ele pode lançar mão de uma música ou outra que os Noivos não curtam, pelo bem da festa e para salvar a pista!”

Alguns DJs queriam saber a minha opinião mas eu prometi responder aqui. Eu sempre pergunto para os noivos se eles querem uma festa muito animada ou se preferem ouvir as músicas que gostam? Até brinco que posso montar uma playlist no Spotify para eles ouvirem suas músicas preferidas em casa, no carro, na praia, etc. Brincadeiras à parte, acho a lista dos noivos fundamental para “personalizar” a festa! Eu adoro quando recebo uma lista de músicas e sempre incentivo os noivos a lembrar músicas marcantes do passado, que tocavam quando eles começaram a sair para dançar em alguma boate, festa, início de namoro, filmes, viagens com os amigos, etc. Músicas de viagens costumam ser marcantes porque vem acompanhadas de lembranças e muita emoção!

Também busco sempre envolver as madrinhas, que são responsáveis por “incendiar” a pista de dança! Essas músicas “pessoais” só os noivos podem me passar e fazem a festa ser ainda mais especial. A lista é muito importante, mas eu preciso ter liberdade para tocar alguma(s) música(s) para encher a pista, quando necessário. Como bem disse o Cohen, para “salvar a pista”. Sempre deixo isso muito claro nas reuniões porque meu trabalho é dar de presente para os noivos uma noite inesquecível.

Mas o que acontece quando eu não tenho liberdade para fazer as coisas como eu acredito? Quando o perfil dos noivos é muito diferente do meu, ou quando é muito alternativo, eu prefiro indicar outro DJ que tenha o perfil do casal ou até mesmo agradecer e declinar do convite. É muito raro, mas já aconteceu. O cliente tem sempre razão, mas ser cobrado por um trabalho que não deu certo, sem poder responder por isso, não é bacana. Eu acredito que a melhor propaganda é sempre uma festa espetacular!

Vou contar o que aconteceu com um DJ amigo em início de carreira quando fez uma festa de 50 anos. Na reunião com o casal, o filho adolescente estava presente e escolheu diversas músicas. Será que essas músicas tinham o perfil dos convidados e da festa? Durante a comemoração, o pai pediu para tocar as músicas do filho e a pista esvaziou. O DJ insistiu e ninguém dançou. No final, a dona da festa se aproximou e disse que ele devia assumir a responsabilidade pela animação da festa.

Depois de tantos depoimentos, espero que você tenha uma resposta para a pergunta da matéria. A principal conclusão que eu chego é que a reunião com o DJ é muito importante. Alguns DJs pensam de uma maneira, outros pensam de outra, mas todos tem o mesmo pensamento quando o assunto é fazer a festa mais animada. Como bem disse o Taw, música é paixão e a nossa paixão é fazer uma pista de dança explodir de verdade!

Boa festa e muitas felicidades!


CRÉDITOS DAS FOTOS: 1. We Love Photo  |  2, 4, 5, 6, 8 e 9. Divulgação |  3. Fernanda Ferraro  |  7.   |  10. Marcelo de Mattos Fotografia

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DJ expert há 30 anos e pai de quatro filhos, ele dividiu sua experiência no livro Histórias Inesquecíveis de Casamentos, onde conta casos inacreditáveis e prova todo seu profissionalismo. Respira música e mistura seu feeling com arte, já que é formado em Design e pós-graduado em Marketing. Suas maiores paixões? Filhos e música. Adora scuba diving!