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Música de casamento: descubra o que mudou nas pistas de dança

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O casamento é uma das tradições mais antigas do mundo. As primeiras uniões eram uma mistura de questões políticas e sociais, decididas pelos pais. O tempo foi passando, as regras foram caindo e tudo foi mudando. Há alguns anos eu fiz uma palestra muito bacana no Workshop da Inesquecível Casamento ( quando ainda não era chamado de IC Week) mostrando exatamente as grandes mudanças que aconteceram nas festas de casamento. Que tal você conhecer melhor tudo isso?

Vamos voltar no tempo até os anos 70, uma época em que não existiam projetos de decoração espetaculares como atualmente, nada de pistas de dança com muita luz piscando e nem músicas muito animadas tocando. As grandes festas aconteciam à tarde, decoradas com muitas flores, lindos arranjos e o grande nome do mercado era Maria Luiza Figueiredo, minha querida e saudosa avó de coração. Quase tudo era importado nessa época e para entender melhor, precisamos lembrar do mundo sem internet e sem globalização.

As festas eram muito formais e realizadas para uma grande maioria de convidados dos pais, que chamavam a sociedade para a união de seus filhos. Os convites eram assim: Sr. e Sra. X e Sr. e Sra. Y, convidam para a cerimônia de casamento de seus filhos X e Y. Por sua vez, os noivos entravam na festa, cortavam o bolo, dançavam uma valsa e depois passavam de mesa em mesa para cumprimentar todos os convidados (que sempre estavam jantando), antes de partir para o grande sonho: a noite de núpcias. Muitas vezes os padrinhos descobriam o hotel e reservavam quartos no mesmo andar para fazer bagunça e tentar atrapalhar a primeira noite de amor do casal. A música funcionava como um grande fundo. Algumas vezes os noivos “curtiam” um pouco mais da festa, dançando com seus pais e convidados. Esse era o cenário.

Uma das primeiras mudanças significativas aconteceu com a música da festa, na reta final dos anos 70, quando a novela Dancin’ Days explodiu a Disco Music no país. Depois veio o filme Saturday Night Fever e as discotecas viraram uma grande febre. Todo mundo sonhava dançar no Studio 54, em Nova Iorque, cantando músicas de Gloria Gaynor, Donna Summer, Barry White e Bee Gees com muitas luzes coloridas piscando e refletindo no globo espelhado. Esse clima disco fez o mundo ficar mais alegre e descontraído. Por que não dançar essas músicas nas grandes festas de casamento?

Foi quando a música ao vivo e o cheek to cheek de Tony Bennett, Ella Fitzgerald e Frank Sinatra começou a se misturar com os hits das discotecas. E os responsáveis por essa mudança foram Elvert Brandão e Marcio Torres, que comandavam as melhores festas da alta sociedade do Rio de Janeiro. Como escrevi no texto anterior, Elvert fazia muito sucesso no Country Club de Ipanema com seu órgão Hammond e passou a ser convidado para tocar nas festas de casamento dos filhos dos sócios. Depois, apostou na mistura do som ao vivo com clássicos do cheek to cheek, antes de lançar sequências mixadas para explodir a pista de dança. Foi nesse momento que eu comecei a trabalhar com festas de casamento.

Logo depois, foi a vez do Marcio Torres entrar na disputa. Filho de uma das famílias mais tradicionais do Rio de Janeiro, super querido e carismático ao extremo, Marcio não demorou para virar o DJ queridinho da alta sociedade carioca. Infelizmente, Marcio não está mais entre nós mas eu tive a grande honra de trabalhar com os dois. Foram duas escolas diferentes e maravilhosas que me ensinaram muito!

Pouca gente sabe, mas foi Elvert que inventou a luz decorativa nos eventos. E tudo começou numa festa no Itanhangá Golfe Clube com Maria Luiza Figueiredo. Sempre pronto a inovar, Elvert sentia falta de uma luz mais quente no lugar da dança. Muitas vezes não havia uma pista de dança demarcada, como hoje em dia e era preciso afastar o sofá e enrolar o tapete. Além de mexer magistralmente como flores, Maria Luiza colecionava peças de decoração e Elvert lembrou de sua coleção. Aí ele comprou algumas lâmpadas e cúpulas de abajures de tecido, para dar um clima mais fechado na luz e pediu algumas mesas emprestadas a Maria Luiza. Posicionou as mesas próximas à pista com as luzes em cima e o resultado foi espetacular. Surgia assim, o primeiro projeto de luz de pista em festas de casamento.

As idéias não paravam de surgir e ele ouviu falar de um cara do subúrbio que mexia com luz de boate, chamado Roberto Pralon. Juntos eles criaram os primeiros projetos profissionais de luz decorativa e Pralon acabou virando uma referência no mercado. Não demorou a surgir uma nova geração de decoradores e o setor passou por uma revolução. O céu virou o limite para os novos projetos!

A JVC lançou no mercado o Video Home System, mais conhecido como VHS, ou vídeo cassete. Logo surgiram as primeiras empresas de vídeo. Alguns anos depois, a Sony lançou no mercado a primeira câmera digital que puxaria uma grande revolução no setor de fotografia. Quem poderia imaginar os próprios convidados fazendo selfies e postando in loco nas redes sociais?

Os noivos passaram a morar juntos antes do casamento. Eu lembro quando uma noiva falou que seria a última a deixar a festa! Olhei com espanto, mas ela foi apenas a primeira! A noite de núpcias perdeu o sentido e os noivos se jogaram nas festas como se não houvesse amanhã. A essa altura, os pais já não participavam tanto das “produções” e os noivos começaram a organizar as suas próprias festas. Houve uma mudança muito grande no perfil dos profissionais contratados. Os fornecedores que agradavam os pais e dominavam o mercado, perderam espaço para uma nova geração de profissionais de cerimonial, decoração, gastronomia, música, fotografia, inclusive de locais para a realização das festas. Os novos cenários passaram a ser grandes museus, lugares na serra e na praia. Houve uma mudança radical no mercado. O jantar com os convidados sentados (em qualquer formato) sumiu das festas e com ele a “passada de mesa em mesa” para cumprimentar os convidados. Surgiu um novo formato de festa, com comidinhas leves e volantes, ilhas de degustação, tudo para deixar a festa mais informal e animada. Para dar conforto aos pés, surgiram as sandálias de borracha, depois os drinks na pista, as maracas e tiaras para descontrair ainda mais os convidados na pista de dança.

A essa altura, o DJ não precisava mais ficar escondido atrás de arecas, as pequenas palmeiras que estavam presentes em todas as festas. Esse profissional começava a ganhar destaque nas festas de casamento e surgiam as primeiras atrações nos palcos. Escolas de samba, bandas de cover, percussionistas, MCs, saxofonistas, grandes shows. Sem esquecer das coreografias para a primeira dança dos noivos, que aposentou em definitivo as valsas de Strauss. A pista de dança virou o coração das festas de casamento. O bar de caipirinhas virou um grande bar de drinks personalizados, surgiu o trash food da madrugada, carrocinhas de cachorro quente e picolé.

 

Enquanto isso, surgia uma nova geração de DJs que também produziam seus próprios hits. Primeiro foi Fatboy Slim, depois Tiesto, Bob Sinclar e David Guetta, que acabaria virando o DJ mais popular do mundo e um grande artista pop. Depois surgiu Avicii, Swedish House Mafia e Calvin Harris. As músicas eletrônicas dos grandes festivais, como Tomorrowland, migrou das festas de 15 anos para chegar com força nas festas de casamento. E junto, foram os maravilhosos brigadeiros, que já não faziam mais parte das mesas de doces. O som ficou mais atual e pesado. As músicas tradicionais das festas de casamento foram perdendo espaço festa após festa. O Deep House explodiu nas pistas do mundo e chegou no Brasil influenciando uma nova geração de DJs produtores, como Vintage Culture, Alok e Cat Dealers. Surge o Brazilian Bass.

O sertanejo universitário conseguiu sair do interior para explodir nas grandes capitais. Surgiu uma nova geração de astros e também de estrelas da música sertaneja. A poderosa Anitta chegou com tudo e abriu as portas para Ludmilla. Os grandes nomes do funk como Marcinho, Leozinho, Buchecha e Sapão perderam espaço para Nego do Borel, G-15, Livinho e Kevinho. DJ Marlboro perdeu o trono para Dennis DJ. E assim o funk se reinventou, venceu o preconceito e passou a bombar as festas de casamento.

Esse é o som que está bombando de verdade nas festas de casamento. Como as coisas estão mudando muito rápido, guarde esse texto para ler daqui a alguns anos. Você pode ter boas recordações ouvindo os hits do momento, do ano do seu casamento!

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DJ expert há 30 anos e pai de quatro filhos, ele dividiu sua experiência no livro Histórias Inesquecíveis de Casamentos, onde conta casos inacreditáveis e prova todo seu profissionalismo. Respira música e mistura seu feeling com arte, já que é formado em Design e pós-graduado em Marketing. Suas maiores paixões? Filhos e música. Adora scuba diving!