O legado Pawlick

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Luhana Pawlick vai levar para a IC Week no Castelo do Batel desse ano uma coleção cápsula de noivas cheia de identidade e novidades. Para sabermos mais sobre a nova fase de Luhana, que segue os passos do pai Gesoni Pawlick, fizemos uma entrevista completa e emocionante

Todos que acompanham a moda brasileira ou que possuem o mínimo de conhecimento do mundo high fashion/das passarelas, sentiram muito ao receber a notícia de que Gesoni Pawlick havia nos deixado em maio de 2017. O estilista autoditada nasceu em Santa Catarina e percorreu um longo caminho até figurar entre os renomes da alta moda brasileira. Aos 32 anos, com a esposa grávida de Luhana Pawlick, aliou a necessidade de ganhos extras com o gosto pela moda. Como havia trabalhado em uma empresa têxtil, uniu seus conhecimentos à sua criatividade e iniciou sua carreia na alta-costura. Em 1979, todos os olhares minuciosos e detalhistas de Gesoni estavam voltados para a moda. Em 82, o estado todo de Santa Catarina já conhecia o nome e a qualidade que ele carregava.

Foi ganhando reconhecimento por seus vestidos de noiva e de red carpet que Gesoni Pawlick conquistou o coração de todos os cantos do país e passou a atender em seu atelier com 400m2 em 1985. Arrojado, em 2004, abriu a Gesoni Pawlick Store, uma loja de luxo com venda e aluguel de vestidos de noiva, de festa, ternos e smokings. A carreira foi uma linha crescente! Premiado como melhor vestido de noiva pela Inesquecível Casamento, o catarinense sempre foi um querido e figurinha carimbada na IC Week.

Nos quase 40 anos de carreira, Gesoni esteve ao lado de sua esposa – braço direito na produção – e nos últimos 18 anos, tinha no backstage sua filha, Luhana Pawlick, que se formou em moda para seguir os passos do pai. Conversamos com Luhana para saber sobre o legado de Gesoni em sua arte e em sua vida. A entrevista é exclusiva e você confere agora!

VOCÊ JÁ TRABALHAVA COM SEU PAI E AGORA ESTÁ À FRENTE DO NEGÓCIO?

Sim… trabalhei em todos os setores do atelier e da Store (loja de locação). Em 2010 assumi a gerencia da Store, e como sempre gostei desse contato com as pessoas, continuava a atender as clientes vez que outra. Sempre me falavam que eu era a versão feminina de meu pai, tanto pelo atendimento, quanto pela parte criativa em customizações que fazia na hora nos vestidos já prontos na Store. Em paralelo a isso, cuidava de toda a parte dos desfiles e eventos que ele  participava. Em 2012 já auxiliava na criação das coleções e no backstage como um todo.

Quando me formei em moda, e comecei a atender as clientes na sala ao lado da dele, conversávamos muito sobre os atendimentos, tecidos novos, bordados diferentes, tudo, e quando eu não estava atendendo ficava de assistente dele, ajudando nas provas, mostrava as rendas e tecidos para as clientes, e no período que estávamos na produção, ficava colada nele aprendendo tudo que conseguia.

Passou um tempo ele me chamou na sala dele e disse que eu estava pronta, que era pra seguir com a minha marca.

Continuei atendendo na sala ao lado dele, mas montei uma pequena equipe e comecei com a marca Luhana Pawlick em 2015.

Nunca imaginávamos que ele faleceria 2 anos depois. Quando isso aconteceu, assumi como diretora criativa na griffe Gesoni Pawlick, e minha mãe, que era o braço direito dele na produção, ajudou muito naquele período.

A MARCA LEVA HOJE O SEU NOME?

Até abril de 2018 levei as 2 maisons em paralelo, Luhana Pawlick e Gesoni Pawlick. Mas preferi unir as 2 trajetórias em uma logomarca única. Meu pai sempre vai estar presente comigo. A marca Pawlick veio desse sentimento… alem de levar ele no meu coração, estamos entrelaçados no logotipo, formando o “P” de Pawlick, que é uma das maiores coisas que ele poderia ter me deixado.

COMO VOCÊ ANALISA HERDAR O NOME E A TRAJETÓRIA DELE? QUAIS FORAM AS MAIORES DIFICULDADES PARA ASSUMIR O TRABALHO?

Na realidade o sobrenome ajudou pouco no início, perto de tamanhas especulações e descrenças que por causa da qualidade, requinte e genialidade que ele remetia, foram criadas frente ao meu trabalho naquela época. Meu pai era renome na alta moda brasileira,  e poucas pessoas acreditavam que eu conseguiria dar continuidade ao trabalho dele e entregar os mais de 50 vestidos que tínhamos em contrato com a mesma qualidade e sofisticação. Foi um momento nebuloso para a marca.

Mas assim que saiu o segundo, terceiro vestido de noiva e red-carpet na imprensa, os elogios e a confiança foram aparecendo e crescendo.

Fora essa turbulência inicial, as dificuldades foram várias!  A começar pelo lado humano, sentimental de filha, em todos os dias eu entrar naquela mesma sala que ele atendeu por 30 anos, sentar na cadeira dele, que eu sempre via-o atendendo e ter que ser forte, controlar as emoções, e fazer um atendimento profissional para aquela cliente que ali estava.

Também encontrar uma pessoa que fazia o papel que eu desempenhava com ele, pois nos entendíamos só no olhar, nossa ligação era muito grande.

Sem falar que muitas vezes, eu me preparava psicologicamente e começava o atendimento, mas ai eram as clientes que se emocionavam e começavam a chorar… me vendo ali, no lugar dele,  dias após o falecimento, impressionadas com a semelhança nas feições e no atendimento. Depois comentávamos algo de alegre, um episódio divertido dele, e seguíamos o processo de criação recordando as histórias engraçadas dele.

A trajetória dele daria um best-seller, quem sabe do começo da carreira dele, de onde ele veio, e até onde ele foi, e mais, o tempo que se manteve como referencia em vestidos de noiva e gala, entende o orgulho que tenho de fazer parte da história dessa maison icônica. Por mais que tenhamos unido as duas marcas, o legado e o nome dele será lembrado por muito tempo.


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O QUE SEU PAI DEIXOU COMO “HERANÇA”, COISAS QUE VOCÊ LEVARÁ PARA SEMPRE? TANTO NA VIDA QUANTO NO TRABALHO.

Meu pai sempre dizia que pouco importava o quão alto ele chegou, mas o caminho percorrido., com isso, sinto que deixou antes de tudo dignidade e humildade, pois sempre foi correto e verdadeiro como pessoa.

Na moda, o legado, a paixão pelo trabalho, o amor que ele colocava em cada peça… A qualidade em cada detalhe.

A sempre olhar e interpretar que “tipo de mulher” é cada cliente, qual a essência dela, para refletir isso na roupa. Tal qual a frase que ele falava, e se perpetuou: “Antes de vestir uma mulher, você precisa entender sua alma…!”

 Acredito que meus vestidos sob medida refletem isso… eles interagem não só com o corpo da mulher que o solicitou, mas com o sentimento, com a personalidade dela.

QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DA MARCA HOJE?

A marca traz como premissa o que aprendi com meu pai e que destacou ele tanto tempo na alta moda brasileira: a qualidade. Busco sempre fazer algo inovador, inesperado mas concreto, emocional porém crível, real…. uma peça que é bela e delicada mas vestível, que quando a cliente usa, a empodera.

Atualmente, nesse mundo globalizado, a moda e mesmo a vertente da Alta-Costura está muito moderna e dinâmica, a não ser quando você faz uma coleção, onde a maioria é atrelada a algum tema.

Por isso procuro fazer algo atemporal que transpira elegância e sofisticação sem ser artificial, e com isso conseguimos atender noivas de estilos bem diferentes.

ESTÃO COM ALGUMA COLEÇÃO OU PRODUZINDO SOB MEDIDA? ME CONTE UM POUCO DOS VESTIDOS E DA EQUIPE.

Cada um de nossos vestidos é único, exclusivo, modelado no corpo com processo de “moulage”, são confeccionados um a um por uma equipe que usa técnicas  da alta-costura europeia, alguns deles trabalharam com meu pai nos últimos 30 anos. Temos uma sinergia enorme, com isso  eles conseguem compreender minha ideia e visão, e mais do que isso, sentir o espírito de cada projeto a partir dos croquis que crio. Acompanho a confecção de cada um dos vestidos, para oferecer a máxima qualidade e perfeição possível em cada peça.

Ainda não tive muito tempo de produzir coleções, dirigir e criar pra 2 marcas não foi fácil. Mas para o evento da Inesquecivel Casamento no Castelo do Batel esse ano já vou levar uma coleção capsula de noivas!

Com a união das duas Maisons, acredito que consiga criar algumas por ano sim.

COMO VOCÊ ANALISA O SEU TRABALHO HOJE? SEGUE O ESTILO CRIADO PELO SEU PAI OU ESTÁ COM EXCLUSIVAMENTE O SEU ESTILO?

Se por um lado ser a CCO das 2 marcas ao mesmo tempo foi cansativo e desafiador, por outro tive um enorme crescimento pessoal e profissional.

Levo comigo toda a bagagem de aprendizado, detalhes, dicas e fundamentos do meu pai como a qualidade e dedicação em todo processo de confecção, além do amor e paixão pelo trabalho.

Vejo o estilo ligado mais a forma que recepciono e atendo, que conduzo o processo de criação com a cliente. Porque como estamos falando de uma peça única, exclusiva e sob medida, o estilo é único para cada cliente, pois a essência dela prevalece a tendência. Procuro moldar as tendências ao estilo e características de cada mulher para tornar único cada vestido.

Foto 1. Leia Senem  |  2. e 3. Norton Jr

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Ela é pequena, mas tem o coração enorme. Já tem dono! É apaixonada por contar histórias. Não se imagina fazendo outra coisa, escolheu ser jornalista desde que veio ao mundo.