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IC Vintage: Elvira Bona e Murilo Albuquerque

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Que tal começar o ano com viagem no tempo? O destino: o casamento da queridinha das noivas, , dona da receita de um dos bem-casados mais famosos do Rio de Janeiro 

São Luiz do Maranhão, 24 de julho de 1971. Às 10 horas da manhã, Elvira, aos 20 anos, chegava à Igreja São Vicente de Paula – onde o administrador Murilo Albuquerque, à época com 24, a esperava. Muitos não sabem, mas ela não é carioca e foi no Maranhão, sua terra Natal, em que conheceu o marido. As famílias dos dois eram muito amigas e estavam sempre juntas. Mas até chegar ao altar essa história teve muitas idas e vindas.

Aos 16 anos, Murilo se mudou para Piracicaba, no interior de São Paulo, para estudar. Enquanto isso, Elvira veio morar com a família no Rio de Janeiro. O reencontro só aconteceu quando o estudante passava férias na Cidade Maravilhosa, mas a diferença de idade (ela aos 13 e ele aos 18) minava qualquer possibilidade de namoro.

Foi só quando voltaram a morar em São Luiz, anos depois, que o namoro começou. O pedido de casamento foi da forma tradicional: acompanhado do pai, Murilo foi até a casa de Elvira pedir a mão da moça em casamento. Um ano depois, voltamos à cena descrita no primeiro parágrafo.

A recepção aconteceu após cerimônia, no salão da própria igreja onde os noivos fizeram o brinde e cortaram o bolo de casamento. Na casa dos pais do noivo, um almoço recebeu os convidados mais íntimos, enquanto Elvira e Murilo já se preparavam para embarcar para a lua de em Recife, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro.

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ORGANIZANDO O CASAMENTO

“Não havia cerimonial e decorador só de casas mesmo”, lembra Elvira. Como ela nos contou, todos os itens do casamento eram feitos em casa, de forma bem artesanal e toda a família se envolvia nos preparativos. “A única pessoa que contratei foi o maquiador Aldo Leite, que desde aquela época era um excelente profissional”, afirma.

O que faltava de profissionalismo sobrava em carrinho. Ela lembra que Zelinda Lima, uma amiga da família que era muito ligada à cultura e à vida social da cidade, ajudou com todos os preparativos.

O VESTIDO 

No quesito vestido, Elvira não teve dificuldades. Sua mãe, Judite Bona dos Santos, era uma eximia costureira e queridinha das noivas. “Eu era a dama de honra do momento. Como minha mãe fazia os vestidos, sempre me convidavam para o casamento” conta.

E essa tradição continua… 50 anos depois, ela foi dama de honra novamente, nas bodas de ouro de Jane e Antônio José Fonseca – a filha da então melhor quituteira da cidade, Hilda Diniz (ela foi a responsável por despertar em Elvira a paixão pela culinária). A ideia foi juntar as mesmas pessoas que participaram do casamento.

Assim como acontece hoje, ela foi buscar inspirações nas revistas. A diferença é que naquele tempo, depois de escolhido, o modelo era reproduzido fielmente por uma costureira. No caso de Elvira, sua mãe. Todo feito em organza e zibeline, o vestido tinha gola alta, manga longa e seguia as últimas tendências da moda (influenciada pelo movimento hippie, que imperava na década de 70).

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OS DOCES

Bem-casados não eram comuns na época, lembra Elvira, mas os doces de fios de ovos ao lado do bolo eram obrigatórios em qualquer casamento da cidade. Mostrando seu talento para a culinária, ela fez junto com a irmã o doce tradicional da região.

Além dessa, outras delícias típicas preencheram a mesa: lábios de mulato, cinderela e o famoso olho de sogra, que em São Luiz ganha uma up grade e, além de ameixa, leva também castanha do Pará.

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CURIOSIDADES

  • Na época, a entrada era diferente. O pai acompanhava a noiva até a porta da igreja, onde o noivo a esperava. Os dois entravam juntos na cerimônia, logo após o padre e daminhas. Em seguida vinham os pais
  • Murilo pegou conjuntivite perto do casamento. Para não adiar a data e driblar a fotofobia, ele teve que se casar de óculos escuros
  • Não era usual, pelo menos em São Luiz, os noivos se beijarem ao fim da cerimônia. O comum era que eles se abraçassem, mas Elvira e Murilo romperam a tradição e optaram por um casamento moderno

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ANTES E DEPOIS

“Hoje os noivos são muito mais participativos e sabem o que querem. Não é mais um domínio dos pais organizar o casamento”, afirma Elvira. Palavras de quem vive nesse universo cotidianamente. A maturidade e consciência em relação ao orçamento é outro ponto que a doceira destaca como uma grande mudança. “Já houve uma época em que vi pais se desfazerem de bens para realizar o casamento dos filhos. Hoje em dia vejo os noivos muito mais conscientes e até tomando a frente dos gastos”, revela.

Nem só no orçamento houve transformações, o perfil da recepção também é diferente. “Antes o casamento não era uma festa, como é hoje, mas uma formalidade religiosa”, conclui. Mudança que ela e o marido, superanimados, adotariam sem pestanejar. “Eu ainda me casaria de dia, mas no final da tarde e em um lugar aberto, cercado de muita natureza. Faria algo animado, com muita música – o que não teve no meu – porque somos muito alto-astral. Acho perfeito ver como hoje os noivos aproveitam a festa e deve ser assim mesmo”.

Há 45 anos juntos, com duas filhas e um neto muito amado, é impossível não querer saber qual é o segredo de sucesso do casamento. Com sorriso no rosto, Elvira deu a mesma resposta que dá aos noivos que visitam sua loja:


“O segredo do casamento, assim como do bem-casado, é que o doce tem que estar sempre no ponto. Não pode açucarar demais, nem desandar. Tem que estar sempre atento à receita e estar pronto para refazê-la. Há sim fases difíceis e muitos desafios, mas enquanto houver a doçura, sempre valerá a pena começar tudo de novo.”


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ic indica

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Uma paulistana que quer conhecer o mundo e encontrou no jornalismo sua forma de transformar paixão em profissão. Adora histórias e não resiste a uma boa conversa. Prefere miniweddings mais descontraídos, mas promete ajudá-la a deixar seu casamento exatamente como sonhou.